DESENVOLVIMENTO PESSOAL
ORATÓRIA
1-
Objetivos:
O
crescimento caracteriza-se por ser gradativo. Tomar conhecimento da real
capacidade inata e investir em sua expansão são condições imprescindíveis para
o desenvolvimento pessoal. Ultrapassada a fase inicial, o autodesenvolvimento
torna-se continuo. O sentimento de auto- conquista nos beneficia e enriquece o
ambiente que freqüentamos. Constata-se três fases no processo de
desenvolvimento em comunicação:
1ºBásico-
Desbloqueio, ou a descoberta do orador identificar vícios de expressão :
cacoetes físicos e verbais; explorar positivamente a personalidade; assimilar
princípios que possibilitem a excelência ao expressar-se;
possibilitar
a expressão integral: palavras, voz, fisiologia;
favorecer
o auto conhecimento, conquistando autoconfiança e segurança;
adquirir
princípios e critérios para o auto- aprimoramento em comunicação;
adquirir
referencias internas positivas;
propiciar
auto-expansão: ampliar o espaço social e profissional.
2º
Intermediário- Viabilizando o potencial – Automodelando o estilo
desenvoltura
ao expor idéias próprias;
dinamizar
discursos, palestras, reuniões e debates;
adquirir
estilo próprio;
estimular
e formar a liderança;
assimilar
estratégias capazes de mobilizar iniciativas;
transmitir
segurança, conhecimento e flexibilidade de análise em preleções.
3º
Avançado : Expressando o Orador- maestria na comunicação
Convencer
uma pessoa ou um grupo de pessoas sobre a sua maneira de pensar;
Persuadir
ou Comover os ouvintes na direção das suas idéias e crenças
Vender
habilmente seus produtos e serviços;
Conquistar
amplo espaço profissional, social e interpessoal através do ouvido
empático
e do bem expressar-se;
Transmitir
segurança, profundidade e convicção nas idéias;
Expor com
lógica, clareza e perfeita adequação do vocabulário;
Adquirir
congruência entre a expressão verbal e a expressão não-verbal;
Formar um
campo gravitacional em torno de suas idéias e possibilitar a
mudança.
2. O
Orador
Em
discursos, palestras e seminários existem três elementos que se
equalizam:
o orador com sua bagagem de conhecimentos, experiências e
personalidade;
a explanação com seu conteúdo pertinente e o auditório com
quem o
orador partilha seus argumentos.
O
elemento integrador em um espaço de comunicação é quem fala. O
orador é
um dos principais fatores determinantes do sucesso da comunicação.
Objetivando
capacitar o orador, tecerei algumas considerações sobre: prérequisitos,
aspectos
físicos, voz e medo.
2.1
Pré-requisitos
Existe
uma grande diferença entre estarmos sozinhos e estarmos diante
de um
grupo de pessoas que nos aguardam como orientadores de um conjunto
de idéias
sobre uma determinada área do conhecimento humano.
È
necessário que tenhamos:
Aparência
agradável:
Pois
dificilmente mudamos a primeira impressão que tivemos de alguém.
Portanto,
é altamente recomendado:
Manifestar
equilíbrio através da aparência física, isso implica estar trajado
adequadamente,
inclusive observar os ditames da moda e da cultura local, caso seja apropriado
usar algum ornamento, que seja adequado e sem ostentação ou exagero, de tal
modo que a jóia ou adereço não roube a atenção que deveria ser orientada para a
seqüência das idéias de quem fala.Uma boa noite de sono é essencial antes de qualquer
apresentação.
Presença
eloqüente:
Expressamo-nos
muito mais fisicamente do que verbalmente. O orador
ainda não
começou a falar e já temos uma idéia do andamento do discurso.
É
indispensável:
Postar-se
com elegância e descontração, nem arrogante, nem humilde,
mas com
os ombros eretos, expressão fisionômica de harmonia, serenidade e
satisfação;
movimentar-se com naturalidade, transmitindo auto-confiança,
como se
você fosse o anfitrião que recebe seus convidados; expressar pleno
domínio
das circunstancias e do assunto que aborda; evite qualquer
artificialismo,
a maturidade permite que sejamos autênticos, jamais imitando a
terceiros.
È
importante decidir de antemão a imagem que você deseja passar para o
público.
Estude-se em um espelho para saber a impressão que você causa, e
não vista
nada que possa servir para distrair a platéia.Como é difícil julgar a
própria
aparência e a impressão despertada por ela, peça opiniões e sugestões a amigos
e colegas sobre sua imagem e de como melhorá-la.
CONGRUÊNCIA
A apurada
integração entre a expressão verbal e a expressão não-verbal dá o
tom que
movimenta o sensível equilíbrio entre a razão e a emoção dos ouvintes.
Caracterizam
a presença congruente:
Identidade
constante: não pode parecer ser, precisa ser e manter, durante
todo o
contato, uma postura coerente;
Estabelecimento
de uma harmonia entre o assunto, os ouvintes e o
orador,
através da expressão física e mental- isso facilita o entendimento e
estimula
a ação.
Sensibilidade:
permite desenvolver a clara percepção do que se passa no
auditório,
tanto nas expressões dos ouvintes, suas reações físicas, sinestésicas,
ou mesmo
perguntas e apartes, propiciando em poucos momentos a integração
das
forças atuantes.
FLEXIBILIDADE
A
dinamicidade da comunicação pressupõem auto-conhecimento, autoconfiança
e
acentuado gosto pelo saber. Ao tornar pública a maneira como
pensa e
sente, o comunicador não pode pretender a unicidade do pensamento,
mas deve
estimular o pensar, o sentir, e jamais pretender padronizar como se
deve
conceber a realidade:
Incentivar
o livre pensar: estimular a reflexão sobre o assunto em foco, se
possível
apresentar o mesmo assunto sob óticas diferentes para que facilite a
comparação
de diversos pontos de vista; isso implica admitir a diversidade, é
salutar
que desde o próprio momento de pesquisa, seja feito um levantamento
de todas
as linhas de raciocínio que se cristalizaram sobre o assunto em análise,
favorecendo a apreciação mais séria, e se possível o diálogo entre elas.
Reconhecer-se em contínua formação: transmitir consciência do intenso
dinamismo
do saber que caracteriza esse inicio de século, da constante revisão
de
enfoques, concepções e conclusões, sobre os mais diversos temas.
QUALIDADES
LITERÁRIAS
O
exercício da oratória exige a sedimentação das regras básicas da língua
em que o
orador se expressa. Conseqüência natural do estudo da gramática e
do
elevado padrão de leitura. O uso correto de verbos, advérbios, preposições,
pronomes,
etc, potencializa as vantagens competitivas do orador.
Evite, a
todo custo, a erudição exagerada, o diletantismo, o preciosismo,
mesmo em
meio acadêmico. A probabilidade de ser enfadonho e de dificultar o entendimento
das idéias é proporcional a adequação da linguagem ao nível
cultural
dos ouvintes.
A
estrutura gramatical empresta ao discurso, dentre outras qualidades:
Clareza: a fluência e amplitude do
vocabulário permite a correta
construção
dos pensamentos viabilizando a expressão da idéia, facilitando sua
compreensão.
Adequação: o auditório é sempre a razão
ultima de qualquer discurso; a
receptividade
dos ouvintes esta sempre na razão direta da capacidade do orador em adaptar o
vocabulário e o nível do raciocínio.
2.2
ASPECTOS FÍSICOS
Essas
observações são pertinentes ao domínio do público. Trata-se da
congruência
entre o que o orador expressa verbalmente e o que expressa
fisicamente
através da postura, dos gestos, do olhar, e dos movimentos que faz
com o
corpo enquanto fala. Farei também menção e analise dos cacoetes
físicos,
pois se constituem em fator dispersivo à comunicação.
POSTURA
Expressa
quem somos e o nosso grau de desenvoltura: seja em pé ou
sentado,
esteja sempre com naturalidade. Quando estiver em pé, apóie o peso
do corpo
sobre as duas pernas; mantenha-se sempre de frente para o auditório,
nem
arcado para a frente, que demonstra medo, insegurança, nem arcado para
trás,
pois também demonstra medo e insegurança, apenas disfarçado sob a
aparência
da arrogância.
Cabeça:
naturalmente alinhada sobre os ombros, ereta, evite abaixar os
olhos
enquanto fala, pois a perda de contato com os olhos do orador, faz baixar o
interesse do auditório no que esta sendo falado.
Braços:
quando não estiver gesticulando, devem estar caídos ao lado do
corpo, e
quando sentado, naturalmente apoiado sobre as pernas ou sobre a
mesa.
Expressão
corporal forte: fazer uso também da mímica, da linguagem
não
verbal ao expressar suas idéias.
Ao
expressar-se em pé- não apóie-se em cadeiras, mesas, quadro-negro,
aparelho
de som, evite isso, seja seu próprio eixo de apoio.
MOVIMENTOS
Criam
maior dinamicidade e poder de concentração nos ouvintes; a
postura física
correta revela auto-confiança e segurança; evite excesso de
movimentos
lineares, pois cansa o auditório devido ao movimento de cabeça
dos
ouvintes, há professores que andam como tigres presos em uma jaula, para
lá e para
cá, no mesmo monótono vai-e-vem, todo movimento uniforme,
repetitivo,
cansa pois causa tédio e sono em quem esta prestando atenção,
movimentos
circulares, como fazem os professores despreparados, levando o
orador a
dar as costas para o auditório, devem ser evitados. O melhor
movimento,
que propicia maior dinamicidade, mesmo em um pequeno espaço,
é o
movimento triangular, realizado sempre de forma diferente.
Não
movimente-se demasiadamente depressa ou demasiadamente
devagar,
pois o primeiro indica agitação interior e passa uma imagem de
descontrole,
e o segundo passa uma imagem desfavorável de preguiça, doença
ou
fragilidade mental.
Os
movimentos devem transmitir convicção pessoal em relação as idéias
que
expressa, sugiro a alguns alunos, que façam dança ou teatro ou ambos
durante
pelo menos uns seis meses, quando vejo que o travamento é muito
grande.
A
exploração do corpo através da expressão física auxilia muito a
comunicação,
pois revela nosso pensar e como nos situamos como
personalidade
no mundo.
GESTOS
Enquanto
as palavras transmitem as idéias, os gestos expressam
os
sentimentos. O discurso eloqüente exige uma perfeita harmonia entre a
comunicação
verbal e a não verbal, entre idéias e emoções, entre os conceitos eos exemplos.
Os gestos não se restringem aos movimentos das mãos, mas referem-se a tudo que
manifestamos exteriormente; passo atrás, à frente, sorriso, testa franzida,
diferentes nuances de olhar, posição dos ombros, posição do corpo para frente
ou para trás. Os gestos são uma extensão do aparelho fonador, é a luta do corpo
para expandir e ilustrar o que a voz quer transmitir. Observações essenciais
relativas aos gestos:
O que
melhor caracteriza a expressão física é a autenticidade: qualquer
gesto
nasce do interior do orador e se manifesta em sua fisionomia, mãos, pés e todo
o corpo; porém podem ser treinados, refinados, enriquecidos e adaptados aos
mais diversos assuntos e auditórios; os gestos devem acontecer segundos antes
ou serem simultâneos à expressão verbal, caso o orador fizesse os gestos após a
fala, eles cairiam no vazio.
Os
gestos, não podem ser espalhafatosos, exagerados, mas comedidos,
sempre
acima da linha da cintura e abaixo da linha dos olhos; devem ser
flexíveis
e variados:há pessoas que por temperamento, convívio familiar, ou
inibição
dispõem de poucos gestos, sua gesticulação é limitada e repetitiva.
Sugiro
que treine diante do espelho as oito formas primária das emoções e suas
variações de intensidade, imagine para cada forma primária um cenário ou
contexto situacional onde essa emoção seria expressa com mais vigor e
propriedade,
e observe seu olhar, suas expressões faciais, seus gestos, crie uma história e
dramatize os personagens que você criar. A seguir vou dar uma tabela com as
emoções fundamentais, ou o rótulo que exprime o sentimento extremo mais forte,
e deixo com você o exercício de criar as situações , pode ser uma pequena
historia, em que você poderá colocar para fora essa emoção
determinada,
e diante de alguns amigos, ou de um espelho grande, que permita
ver o
corpo todo, vivenciar com detalhes cada emoção, usando a variação que
lhe for
mais oportuna. Em um bom curso de oratória, você é filmado,
facilitando
portanto, a apreciação de cada gesto, de como você cria contato com as pessoas,
afinal é através do olhar que um conversa se torna possível, seja
pessoal,
ou em massa. Como você busca atingir cada pessoa com seu olhar? As pessoas
gostam de ser percebidas. Para atingir o interlocutor frontalmente
devemos
direcionar o olhar para a região entre os olhos e levemente acima do
nariz.
Observe como você costuma olhar em cada emoção que você for explorardiante do
espelho, (claro que servido de uma câmara ficaria ainda melhor. Aqui está a
tabela das emoções, você pode trabalhar cada emoção primaria durante uma sessão
de 45 minutos, o que levaria a finalizar esse treino de expressão corporal em
apenas uma semana. Querendo se aprofundar e intensificar o trabalho com o
corpo, pode dedicar uma semana para cada uma das oito emoções básicas. É um
excelente trabalho de auto- observação e um ótimo trabalho de limpeza interior.
Forma
primária Variações de Qualidade e
Intensidade
MEDO
Inquietação, ansiedade, apreensão,
preocupação,
desconfiança,
aflição,consternação,pavor,
susto, horror,
receio,
palpitação, pânico, perturbação,
ânsia,
tremor, timidez, trepidação,
intranqüilidade,
nervosismo, cuidado
RAIVA
Acrimônia, animosidade, amargor,
desprazer,
exasperação, fúria,
agastamento,
indignação, ira, irritação,
desagrado,
mau-humor, amuo, cólera,
ressentimento,
mau – gênio,
aborrecimento,
furor.
ÓDIO
Abominação, animosidade, antipatia,
aversão,
amargor,detestação,
repugnância,desamor,
inimizade,
hostilidade,
má-vontade, asco,
malevolência,
maldade, malignidade,
odiosidade,
rancor, nojo, repulsa,
ressentimento.
CULPA
Consciência do mal feito a outrem,
atrocidade,
reprovação, culpabilidade,
desamparo,
afastamento, agressividade,
remorso,
transgressão, injustiça.
DOR
Aflição, angústia, amargor, prostração,
tribulação,
saudade, nostalgia,
arrependimento,
remorso, melancolia,
tristeza,
sofrimento, provação, opressão,
mágoa.
AMOR
Afeição, apego, atração, benevolência,
solicitude,
caridade, carinho, compaixão,
devoção,
encantamento, predileção,
cordialidade,
boa vontade, bons
sentimentos,
inclinação, paixão,
interesse,
bondade, estima,
consideração,
simpatia, ternura.
ALEGRIA
Beatitude, felicidade, animação,
vivacidade,
deleite, êxtase, júbilo,
exultação,
ventura, cordialidade, alegria,
regozijo,
contentamento, bom humor,
hilaridade,
festividade, jovialidade,
folgança,
prazer, gosto, satisfação,
triunfo.
ENTUSIASMO
Ardor, devoção, veemência, ímpeto,
animação,
hilaridade, excitação,
fervor,travessura,
vivacidade, paixão,
zelo,
pique.
Falar em
público não é um monólogo, mas um diálogo criado com uma
multidão.
O auditório se comunica o tempo todo com o orador. Este por sua
vez,
precisa decodificar as mensagens e ir adaptando o máximo possível o seu
discurso
despertando um interesse intenso e uma profunda intelecção.
Cacoetes
físicos
São
jeitos e trejeitos executados pelo orador enquanto explana suas
idéias.
Prejudica a plasticidade da comunicação e desfoca a atenção dos
ouvintes
em detrimento do entendimento e assimilação do assunto.
Porque
são executados?
Por mero
hábito; para desviar a atenção dos ouvintes sobre a pessoa do
orador;
ou ainda por nervosismo, objetivando aliviar a tensão nervosa.
Alguns
cacoetes mais comuns:
1.
colocar e tirar os óculos e depois recolocá-los no lugar repetidas
vezes;
2. coçar
a nuca, as faces, a barba, o queixo, a cabeça ou o nariz;
3.
ajeitar o paletó que vai apertando a medida que o orador se
movimenta
e gesticula;
4. puxar
a calça para cima;
5. apoiar
as mãos nos bolsos ou na cintura;
6.
alinhar o cabelo repetidamente;
Mecanismos
para eliminá-los:
1. ter
consciência do problema e da necessidade de superá-los;
2.
identificar o que o motiva a fazê-lo;
3.
canalizar a tensão nos gestos, movimentos e tom da voz;
4. evitar
conscientemente executá-los.
Em
oratória não devemos buscar fórmulas, mas princípios adaptáveis à nossa
estrutura
pessoal. Que por sua vez deverão ser praticados conscientemente até
constituir-se
em hábitos, os quais serão perfeitamente integrados à nossa
maneira
de expressar-nos.
2.3 A VOZ
A voz é
uma atriz que interpreta o papel da idéia. É um dos instrumentos mais
poderosos
que o ser humano possui. Saber utilizar bem a voz significa, muitas
vezes, o
sucesso em muitos de nossos empreendimentos. Portanto, um capitulo de
fundamental importância num curso de oratória é a dicção ou califasia, que
permite a melhora significativa na impostação da voz.
A
comunicação verbal acontece em quatro níveis: a palavra, a colocação
da
palavra na frase, a inflexão e entonação e o feedback do auditório. A califasia
é a arte de tornar a palavra distinta, correta, expressiva e agradável.
A palavra
distinta é aquela que é pronunciada inteiramente, com todas as
silabas,
sobretudo, a sílaba tônica e a sílaba final. Por exemplo: e-vi – den- temen-te.
Evite
dizer as palavras diminuindo-as, encurtando-as
desnecessariamente
como acontece com o verbo estar..., alguns estudantes
para
parecerem mais informais conjugam um verbo que não existe em nossa
língua :
o verbo tar; eu tou, tu tas, ele tá, e assim por diante. Esse modo de
falar
evidencia pobreza literária, e indigência vocabular.
A palavra
correta é a que se diz de acordo com a pronuncia brasileira,
sem
afetação, sem imitação da prosódia estrangeira, seja ela francesa ou
inglesa.
Fale toalete, restaurante, e não toalet, restaurant. Evite a pronuncia
defeituosa
de palavras com a consoante solta, isto é, consoante sem vogal:
Advogado.
Ad-vo-ga-do, em que o D deve ser pronunciado sem vogal. Não
existe a
pronúncia adevogado.Assim, também como nas palavras:
absolutamente,
substantivo, adjetivo, advérbio, administrar, psicólogo,
substância...
A
expressividade verbal supõe habilidade em colocar a voz. Impostar
corretamente
a voz torna o orador distinto, provoca disposição e estimula a
receptividade
dos ouvintes.
Evitar o
ciciar, que é o defeito de pronunciar o C ou o S, com a ponta da
língua
nos dentes. Por exemplo: O conceito de César.
Há ainda
dois defeitos de pronuncia que devem ser evitados: o
lambdacismo
e o rotacismo. O lambdacismo é a pronuncia defeituosa da letra
L: crasse
em lugar de classe, craridade em lugar da forma Correta claridade;
craro no
lugar de claro.
Rotacismo
é a pronuncia defeituosa do R. pronunciar litorar no lugar de litoral, trocar
mal por mar, pranta por planta, e assim por diante.
O orador
deve condicionar a voz, isto é falar de acordo com o tamanho do
auditório.
Não deve elevar a voz diante de um pequeno auditório, mas fale aos
presentes
em voz condicionada, isto é bem proporcionada e regulada.
Existem
oradores que confundem eloqüência com estridência, a arte de
convencer
com a arte de gritar, não é gritando que se convence ou persuade. O
orador
deve argumentar bem e em voz audível; pode se dirigir as pessoas
colocadas
nos últimos lugares e perguntar-lhes se estão ouvindo bem. A voz
deve
descrever uma parábola, partindo do orador até as ultimas pessoas do
auditório.
Jamais fale dirigindo-se somente as pessoas mais próximas, pois isso o impede
de comunicar-se com as demais pessoas do auditório.
A voz
será agradável, se o orador evitar a monotonia, procurando
modular a
voz, variando a altura, volume intensidade, e a velocidade, com
acentuação
adequada ao articular as frases. Sentindo as palavras que fala,
saberá
dize-las expressivamente. Não se diz AMOR da mesma forma que se diz VALOR. A
palavra expressiva traduz, perfeitamente, a idéia ou o sentimento que queremos
exteriorizar, tornando-o claro e compreensível.
Não basta
ser gramaticalmente correto, há que se ser agradável, evitar
cacófatos,
(uma mão, a boca dela, na vez passada) e passar a energia do que
estamos
sentindo, comunicando a cada palavra determinadas inflexões de voz
que a
tornem muito mais vigorosas e elegantes.
Predicados
da voz:
A voz é a
mais autêntica expressão do nosso estado interno. A entonação
cria
ritmo tornando a exposição dinâmica e atrativa.
A
flexibilidade e a sonoridade nos permitem harmonizar o timbre, que é a
personalidade
da voz; harmonizar a intensidade, ou grau de força da voz, o
volume
que é a quantidade de voz empregada; a altura; que pode ser aguda ou
grave; e
a velocidade ou ritmo com que se fala.
Há ainda
uma qualidade que causa simpatia, e aloca empatia de quem
ouve ; é
a docilidade da voz, expressa segurança pessoal, e demonstra profundo
conhecimento do assunto.
O orador
deve procurar envolver o auditório com sua vibração,
entusiasmo,
fervor ou hilaridade.
RESPIRAÇÃO
Os
pulmões são a base de sustentação da voz. Respirar de forma
inadequada
prejudica a qualidade da comunicação. Quais são as características
da
respiração correta quando se fala em público?
Respiração
diafragmática ou abdominal: permite o pleno uso dos
pulmões,
dando maior poder de sustentação à voz;
Não falar
com os pulmões vazios ou quase vazios: a falta de oxigenação
adequada
do cérebro causa tontura e a ausência de ar nos pulmões limita a
capacidade
de lançamento da voz;
Quando
respirar? Nos pequenos intervalos que acontecem entre a
expressão
de uma idéia e o inicio da próxima. É importante respirar de maneira quase
imperceptível.
Exercitando
a impostação da voz
É muito
comum ouvirmos alguém dizendo que tal pessoa “imposta a voz
para
falar”.
Contudo,
mesmo usando o verbo “impostar”, a idéia que embasa tal
afirmação
é equivocada e não expressa realmente o que é impostação vocal.
Para
muitos impostar a voz parece algo requintado, que não é dado as pessoas
comuns
aprenderem, acham que a impostação envolve uma técnica exótica ou
muito
difícil que exige rigoroso esforço.
Nada
disso, a impostação vocal, significa saber adequar a voz ao
ambiente
e a ocasião servindo-se apenas da função fisiológica dos órgãos que
produzem
o som, obtendo da voz o melhor rendimento com o mínimo de
esforço.
Não
somente os cantores, atores e radialistas, vendedores e advogados,
pregadores,
professores e políticos precisam treinar a voz. Qualquer pessoa que precise se
deparar com um público, pode e deve ter uma voz modulada, firme, convicta,
clara, bonita e expressiva.
Para
impostar a voz basta acrescentar aos afazeres diários vinte minutos
de
dedicação, fazendo exercícios que podem melhorar a respiração, a
articulação,
a ressonância e a interpretação.
Exercícios
de respiração:
1.Inspire
profundamente e expire como se estivesse fazendo um exame
médico de
capacidade pulmonar. Repita 8 vezes.
2.Coloque
as mãos espalmadas sobre o abdômen, inspire profundamente
sentindo
a acentuada expansão abdominal. Então solte o ar lentamente,
percebendo
a contração abdominal, observe o movimento do corpo.
Repita 8
vezes.
3.
Coloque as mãos espalmadas sobre o abdômen, respire
profundamente,
segure o ar nos pulmões contando até cinco
compassadamente.
Depois solte devagar o ar dos pulmões emitindo um som de SSSSS. Repita 8 vezes.
5.
Coloque as mãos espalmadas sobre o abdômen, respire profundamente,
segure o
ar nos pulmões contando até cinco compassadamente. Depois
solte
devagar o ar dos pulmões emitindo um som de TTTTT. Repita 5
vezes.
6.
Coloque as mãos espalmadas sobre o abdômen, respire profundamente,
segure o
ar nos pulmões contando até cinco compassadamente. Depois
solte
devagar o ar dos pulmões emitindo um som de AAAAAA. Repita 5
vezes.
7.
Contraia e descontraia aleatoriamente o abdômen, num movimento
coordenado
pelas costas e sustentado pela estrutura da coluna.
Concentre
a observação no ar que entra e sai por esse ato mecânico do
corpo.
Procure expirar enquanto contrai o abdômen, e inspirar enquanto
o
descontrai. Repita 8 vezes.
8. sopre
um canudinho de refresco por aproximadamente 5 minutos,
contando
mentalmente de 4 em quatro, intercalando sopro e
aprisionamento
de ar nos pulmões.
9.
pratique natação, visando expandir sua capacidade respiratória, na
quantidade
recomendada pelo seu médico.
10.Chame
alguém de sua confiança para observar e auxiliar você enquanto
faz estes
exercícios de respiração, depois de achar que já sabe respirar
corretamente
para falar.
Exercícios
de ressonância
É a
ressonância que da volume e qualidade ao som da voz.
1- com a
boca bem aberta diante do espelho, emita o som do
AAAA
prolongado. Repita 4 vezes.
2- Faça
novamente o AAAAAA bem aberto, subindo e
descendo
a cabeça e o peito durante a emissão do
som.Para
distinguir sons graves, médios e agudos. Repita
8 vezes.
3- Faça
um bico com os lábios e emita um som de
HUMMMMM,
coloque as mãos uma sobre a outra na
cabeça,
fronte, nariz, queixo e nariz. Para perceber os
canais de
ressonância. Repita 8 vezes.
4- Grite
bem baixinho, como se quisesse chamar alguém,
sem
colocar volume na voz. Ajuda muito no controle da
modulação.
Repita 8 vezes.
Exercício
de articulação
1. Diga
os textos seguintes, primeiro com uma caneta atravessada na
boca, (as
primeiras 4 vezes) e depois as outras 4 vezes deverão ser
faladas
sem a caneta:
a) o
emblema sem problema está representado pelo dilema do
problema.
b) O
peito do pé de Pedro é preto, quem diz que o peito do pé de
Pedro não
é preto é por que tem o peito do pé mais preto do que
o peito
do pé de Pedro.
c) O rato
roeu a roda da carroça do rei de Roma, e a rainha Renata
ralhou o
resto da rota rodada por causa da roda roída.
2. Diga
para si mesmo este lembrete articulando corretamente: articular
é
desenhar as palavras com os lábios. Repita 8 vezes
3. Fale
sem som, pronunciando essas consoantes com rapidez:VVVVV
– CCCCCC-
DDDDD-MMMMM-RRRRRR-PPPPP-SSSS-TTTTTRRRRRR-
ZZZZZZ-MMMMM
– FFFFFF-NNNNN- LLLLLGGGGGG-
DDDDDD-HHHHHH-
JJJJJJJ-QQQQQQ – Repita 5
vezes.
4.
pronuncie cada vogal com precisão e clareza, em escala musical,
articulando-as
exageradamente:a,e, é, i,o,ó,u –repetir oito vezes.
5. leia
esse poema de Gilberto Gil em voz alta, pronunciando só as
vogais:
“- Ah,
meu amigo, meu herói,
ah, como
dói
saber que
a ti também corrói
a dor da
solidão.
__Ah, meu
amado e minha luz,
descanse
a tua mão cansada
sobre a
minha mão.
-A força
do universo não te deixará.
O lume
das estrelas te alumiará
Na casa
do meu coração, pequeno
No canto
do meu coração, menino
No quarto
do meu coração espero
Agasalhar-te
a ilusão.”
Repetir 4
vezes
5-Agora
divirta-se, declame o poema de Gil imaginando-se pai ou mãe
de um
recém-nascido e sinta, pois vale a pena.
Repetir 6
vezes.
Flexibilização
dos articuladores:
Exercícios
que propiciam maior descontração, agilidade e precisão dos órgãos
articuladores
do som.
1.lábios:
abrir e fechar os lábios, soprar bexigas, assoprar velas que estão
distantes
a pelo menos dois metros; colocar uma caneta nos dentes incisivos e
ler
textos de jornais ou revistas em voz alta.
2.
língua: dobrar a língua e encostá-la no palato mole; desdobrá-la tocando nos
dentes
frontais seguidas vezes; com a boca fechada girar a língua tocando na
parte
externa das gengivas; abrir a boca tirar a língua para fora e gira-la para a
direita e
para a esquerda.
3.
Mandíbula: abrir e fechar a boca doze vezes; movimentar a mandíbula da
direita
para a esquerda e da esquerda para a direita oito vezes.
Articulação
precisa + fonação :
Exercícios
para tornar as palavras distintas:
O uso
exato dos articuladores e dos ressoadores na produção especifica de cada
fonema,
fale as palavras a seguir com a boca bem aberta,desenhando as
palavras
e exagerando nos encontros vocálicos.
Vocábulos
orais isoladas: a, e, i, o, u.
Vocábulos
orais combinados:
aa-
caatinga, caaba, caaete, caapiá – Açu;
ae-
aeroporto, maestro, aéreo, aeromoça, caeté, aeróbica, Caetano;
ai –
digitais, vogais, gaita, maioria, maieutica, laico, rainha, raio, potenciais;
ao-
faraônico, baobá, caótico, caolho, maori, aonde, aos, aorta;
au-
capiau, autonomia, causativa, autor, automática, fonoaudiologia;
ea-
meados, mapeamentos, encadeamentos, área, realização;
ee-
veemência, empreendedora, reengenharia, compreensão, apreender;
ei-
invisíveis, verdadeiros, níveis, conceitos, perfeitos, enfeites, feitor;
eo-
teorizar, vídeo, geografia, neologia, alvéolo, neófito;
eu-
hermenêutica, terapêutica, neurologia, propedêutica, maiêutica;
ia-
experiência, potencial, excelência, tendência, competência;
ie-
consciente, presciente, onisciente, cliente, ciência, sociedade, suficiente;
ii- niilismo;
io-
operacionalizar, profissional, dimensionar, princípios, bioenergia;
iu-
viúva, iugoslavo, miudeza.
oa-
coaxar, ressoadores,aperfeiçoar, oásis;
oe-
coerção, moela, moeda, boemia, poema, coelho, coentro;
oi- oito,
coisa, oitava, doido, moicano, Moisés, oiticica;
oo-
coordenar, cooperação, zootecnia, zoologia, noológico;
ou-
arcabouço, doutorado, ouriço, ourivesaria, outono, outrora, ouvido;
ua-
virtuais, intelectual, espiritual, atuação, quantidade, individuação;
ue-
estatueta, congruentes, freqüência, seqüência, anuência, fluente;
ui-
intuitivo, juízo, fluir, fortuito, intuito, circuito, equilíbrio, genuína;
uo- suor,
aquoso, quoeficiente, untuoso, suntuoso, afetuoso, virtuoso.
Vocábulos
Nasais:
- ão-
precisão, expansão, repercussão, apresentação,
evolução,
satisfação;
- ãe-
cães, Pães,mães,cidadãos, guardiães;
- ui-
muito, fortuito, gratuito, circuito, intuito, construir,
possuir;
- õe-
anões, carvões, chutões, grandalhões, padrões,
panelões,
patrões.
Consonantais
orais:
Labiais:
B: subsídios, hábitos, saber, global, liberdade, habilidade, obter;
P:
psicologia, poder, aprimorar, potencialidade, competência;
M:
compreender, afirmar, motivação, atendimento, competitivo.
Dentais:
D: dialogar, conteúdo, acuidade, moderno, proceder, vencedor;
N:
técnicas, relacionamentos, espontaneamente, intenso, inovação;
T:
metáforas, contextualização, contentamento, estrutura, pratica.
Lábio-dentais:
F: formidável, cânfora, fuso, força, fonte, confiança, flexível;
V:
vontade, vanguarda, vantagem, vivencia, convencer:
Alveolares:
S: recursos, assistência, níveis, transmissor, essencial, metas;
C:
influencia, ciência, sapiência, experiência, fluência, associar;
Ç:
evolução, liderança, força, ação, espaço, convicção, diferença;
X:
exemplo, conexão, exato, exercitar, exuberância, exaurir;
Z:
organizar, perspicaz, eficazes, felizes, satisfazer, clareza;
L: falar;
limpeza, lâmpada, inteligente, fórmula, desenvolver;
R:
pensar, coragem, carbono, fazer, realizar, naturalidade, agir;
RR:
corrigir, correto, cachorro, carruagem, carroça, arrasar.
Palatais
:
LH:
assoalho, coelho, orgulho, maravilha, ilha, ralho, valho;
NH:
engenharia, fanho, medonho, sonho, castanho, vinho, punho;
X (ch):
xale, xodó, xerografia, xícara, xaxim, xampu, xixi;
J/G:
viajar, juízo, jantar; gentileza, mensagem, metodologia;
CH:
choque, chimarrão, cheque, chance, chave, echarpe, chapéu.
Oclusivas:
Q/C:
aquilatar, quilo, qüinqüênio, pesquisa, cognitivo, oculto;
G:
gorjeio, guarda, globais, lingüística, significado, aguçar.
Consonantais
nasais:
AN:
encantar, quando, andando, motivando, manter,
liderança,
expandir;
EN:
entretanto, absorvendo, concorrendo, entardecer,
vencedor,
apreender;
IN:
intuir; constituinte, concluindo, instituição,
interior,
caminho, interromper;
ON: conduzir,
conceber, encontrar, conseguir, onda,
bondade,
ontem, conter;
UM:
junção, perguntar, funcionar, ungir,
fecundidade,
profundo, junco, Jundiaí.
PRONÚNCIA
CORRETA: A ARTE DE DIZER AS PALAVRAS
CORRETAMENTE
Observação
da ortofonia e desvencilhamento do hábito de dizer palavras
ou
expressões economizando letras.
Pronúncia
parcial das palavras: trocar “ já estou indo” por “já tô indo”;
“também”
por “tamém”; “vamos” por “vamu”; “você já passeou?” por “cê já
passeou”;
Troca de
letras: V pelo B ; vasculhar por “basculhar”; V pelo G: vomitar
por
“gomitar”;
Acrescentar
vogais onde não existem: substancia (subistancia);
psicologia
(psicologia); optar(opitar) advogado(adevogado) psicólogo
(pissicólogo).
Inflexão
e entonação fluentes: o cuidado de tornar as idéias e
palavras
expressivas.
O orador
iniciante precisa aprender a tornar as idéias atraentes, leves e
inteligíveis:
Através
da acentuação correta das sílabas tônicas ele pode, com um pouco de
emoção na
voz dar o real significado à palavra tornando-a inteligível na frase;
isto se
chama inflexão.
Através
da entonação, o orador expressa com mais ênfase as palavras e idéias
que
resumem a idéia principal.
Musicalidade:
é a habilidade de dar leveza, colorido, com emoção e harmonia a frase: Exemplo:
“ onde quer que você vá, eu vou com você, porque ainda não inventaram um jeito
de descobrir quando alguém viaja escondido no coração de outra pessoa.” Osho-
Pepitas de Ouro- Editora Gente.
Exercitando
a inflexão, a entonação e a musicalidade:
Seu Pai
advoga em São Paulo, em um escritório particular?
Não, um
amigo meu advoga.
. Seu Pai
advoga em São Paulo, em um escritório particular?
Não, ele
tem uma consultoria de negócios.
. Seu Pai
advoga em São Paulo, em um escritório particular?
Não, ele
advoga em Curitiba.
. Seu Pai
advoga em São Paulo, em um escritório particular?
Não, ele
advoga em uma empresa privada.
A
colocação adequada das palavras nas frases; o cuidado de
torná-las
agradáveis.
Evitar os
cacófatos e os vícios de linguagem.
Cacófatos:
a
construção descuidada da frase permite encontros vocálicos
que
possibilitam a formação de palavras e fonemas impróprios para o
momento,
distraindo a atenção dos ouvidos mais apurados, e reduzindo o
valor e o
brilho do que se diz, podendo até mesmo ser desagradável ou
obsceno.
Exemplos:
Prefiro
não pensar nunca nisso. (caniço);
Meus
olhos por ti são de fogo. (tição);
Meu amor
por ti gela. (tigela);
Minha
vida é amar ela.( amarela);
O
problema é a prática dela. (cadela).
VICIOS DE
LINGUAGEM: refiro-me a expressões verbais que dilapidam a
estética
do discurso do orador.
Cacoetes
verbais-
Consiste na repetição exagerada de um fonema ou sílaba
que
denota insegurança, ou que funciona como uma muleta psicológica que
assegura
a continuação do fluxo da fala somente após sua repetição:
Exemplo:
Ahhhh, Ehhhh, Ihhhh, ôhhhh, né?, Tá?, e o ultajante:
“entende?”
ou ainda: daí, bem, bom, assim, ããã, tipooo, e daí né, etc.
Por que
acontecem?
Por mero
habito adquirido no entorno social em que vive o individuo;
Necessidade
de ver o auditório confirmar, concordar ou retrucar a idéia
exposta;
busca continua de apoio e afirmação no auditório, conquista de
tempo
para pensar no que vai dizer depois.
Exercício:
Leia
compassadamente e em voz alta essa desiderata, colocando o máximo
de
assento musical em sua voz, otimize a personalidade de sua voz,
percebendo
e superando as dificuldades na interpretação oral do texto lido:
faça esse
exercício durante uma semana, de preferência antes de dormir à
noite:
Desiderata
“No meio do barulho e da agitação,
caminho tranqüilo, pensando na
paz que
você pode encontrar no silencio. Procure viver em harmonia com
as
pessoas que estão ao seu redor, sem abrir mão da própria dignidade. Fale
sua
verdade, clara e mansamente; escute a verdade dos outros, pois eles
também
tem a sua própria historia.
Evite
pessoas agitadas e agressivas; elas afligem o nosso espírito. Não
se
compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a
você;
isso o tornaria superficial e amargo. Viva intensamente os seus ideais
e o que
você conseguiu realizar. Conserve o interesse pelo seu trabalho, por
mais
humilde que ele seja; ele é um verdadeiro tesouro, na continua
mudança
dos tempos. Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo
esta
cheio de armadilhas, mesmo assim não fique cego para o bem que
sempre
existe. Há muita gente lutando por nobres causas; em toda a parte a
vida esta
cheia de heroísmo. Seja você mesmo, sobretudo não simule
afeição e
não transforme o amor numa brincadeira. Pois no meio de tanta
aridez
ele é perene como a relva.Aceite com carinho, o conselho dos mais
velhos e
seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Cultive a
força do espírito: você estará se preparando para enfrentar as
surpresas
da sorte. Não se desespere com perigos imaginários; muitos
temores
tem sua origem no cansaço e na solidão. Ao lado de uma sadia
disciplina
conserve, para consigo mesmo uma imensa bondade.
Você é
filho do Universo, irmão das estrelas e das arvores. Você
merece
estar aqui. E, mesmo que você não possa perceber, a terra e o
universo
vão cumprindo o seu destino. Procure, pois, estar em paz com
Deus,
seja qual for o nome que você lhe der. No meio dos seus trabalhos e
aspirações,
na fatigante jornada pela vida, conserve- no mais profundo do
ser- a
harmonia e a paz. Acima de toda a mesquinhez, falsidade e
desengano,
o mundo ainda é bonito!
Caminhe
com cuidado e partilhe com os outros sua felicidade.
Faça de
tudo para ser feliz!”.
(Desiderata,
Cid Moreira, Edições Paulinas)
2.4 O
MEDO
Existem
dois oradores distintos morando dentro de uma pessoa e podem
prejudicar
sua auto-avaliação: há uma dicotomia entre o orador imaginadoque
passou
por uma experiência pouco positiva e o orador real – que expressa
autenticamente
sua personalidade.
A
suscetibilidade é o principal sintoma do orador que se encontra tímido.
A
autoconfiança, ainda em construção o torna vulnerável mediante qualquer
manifestação
referente à sua atitude, à maneira como analisa o tema ou ao seu
enfoque
sobre o assunto. Manifesta-se no receio de mostrar-se, de ser
observado
e de ser o centro das atenções. Isso não é genético ou inato, mas o
produto
de uma formação inadequada. O maior entrave é não acreditar poder
superar
todo esse medo.
A postura
com maior poder de transformação é entender que o erro é
inerente
ao processo da aquisição de uma nova habilidade, que no caso é
expressar-se
em publico com desenvoltura. Portanto, é altamente
recomendado,
olhar para dentro de si mesmo, identificar as arestas, e permitir a expressão
do que sente, pensa e sabe, soltar-se sem o peso da auto-censura,
ou auto
critica, e exercitar-se incansavelmente.
A visão
distorcida da realidade interna e externa, bloqueia a expressão
integral
do individuo. Um pouco de medo, sempre foi normal em todos os bons oradores, ao
sentirem o peso da responsabilidade de transmitir uma mensagem a um publico
inteligente, porém ele logo é superado pela própria importância da mensagem a
ser proferida, o conhecimento da sua real potencialidade interna e o domínio
sobre o contexto permitem a plena manifestação de sua personalidade.
Quando
exposto o portador do medo inibe-se, sente-se travado, perde a
naturalidade.
E isso, tem sérias conseqüências, pois inibe a conquista do espaço social e,
principalmente profissional. À medida que vai experimentando e expressar-se em
publico, vão desaparecendo um a um todos os fantasmas que de inicio o
amedrontavam. Internamente vão se formando referencias positivas, referencias
das experiências bem sucedidas que vão permitindo que gradativamente ele vá
andando sobre as próprias pernas mesmo diante de um publico perscrutador.
Superar o
medo potencializa o ser humano em todas as suas dimensões. A
habilidade
de falar em publico, com desenvoltura, traz em si efeitos correlatos
que
predispõem ao sucesso pessoal e profissional.
Principais
características da presença do medo:
Enquanto
sentirmos uma ou mais dessas sensações abaixo, estaremos sob
o comando
tirânico do inconsciente:
1.
sentir-se deslocado, sem graça, não à vontade;
2.
transpirar demasiadamente: principalmente as mãos e axilas;
3.
mudança da cor do rosto: ficar pálido, branco ou vermelho;
4.
garganta seca ou excesso de saliva; devido ao descontrole no processo de
ensalivação;
5. não
saber como e onde posicionar as próprias mãos;
6.
ausência de movimentos quando existe espaço para movimentar-se à
vontade;
7. sorrir
demasiadamente ou ficar de semblante muito fechado;
8. perder
a seqüência das idéias; ocorrência do “branco”;
9.
auto-avaliação imprecisa; devido a decodificação inexata das
manifestações
do auditório;
10.manifestar
impaciência, pressa na abordagem do assunto;
11.subestimar-se:
insistir na sensação de não estar agradando o auditório;
12.ter
receio dos olhares dos ouvintes;
13.voz
embargada, rouquidão, pronuncia inadequada das palavras;
14.diante
de alguma manifestação contraria a sua opinião, sente-se inferior;
pois
perde a sua base de sustentação: o próprio-auditório;
15.monólogo
interno negativo: “não levo jeito para falar em público”, “não é
o meu
ponto forte”, “vou deixar para uma próxima oportunidade”, “e se
eu
cometer uma gafe?”, “pode ocorrer um branco geral”.
Auto-percepção
do medo:
Procure
observar quais circunstancias públicas ou privadas que atuam
acionando
o medo ao expressar-se;
Enquanto
está se expressando em público, observe como percebe o tom
de voz,
os movimentos os gestos, o olhar e a fluência natural das idéias;
Verifique
como interpreta ou decodifica as mais variadas manifestações
do
auditório, tais como, expressões fisionômicas, questionamentos, saídas
de
recinto;
Que
sensações você passa a ter a partir do momento em que aceita o
convite
para realizar apresentações, discursos, palestras ou workshops?
Observe
se ocorrem sensações acentuadas de disparo geral, mormente
em
relação as idéias que parecem sempre serem insuficientes ou não
pertinentes.
Principais
causas do medo:
A timidez
manifestada em nossa maneira de expressar tem causas
remotas e
causas imediatas. Examinemos cada uma delas:
Causas
remotas:
1. Influência
familiar: adquiridas pelas informações e posturas
assimiladas
no primeiro ambiente de socialização- “não fale se
você não
tiver certeza”, “como você é desastrado”, “seu irmão é
muito
mais desenvolto do que você”, “você é estúpido”, etc.
2. Ambiente
escolar: estratégias educativas castrantes e inibidoras
da livre
expressão do ser e do pensar- detonadoras de posturas
passivas,
apáticas nos alunos- “quantas vezes preciso explicar ate
voce
conseguir entender?”, “vamos, fale logo, e com as suas
próprias
palavras”.
3. Busca
de auto-afirmação na adolescência: convivência em
grupos
onde os pseudo-líderes, coibiam a auto-espressão dos
demais
membros- “voce é um panaca, o maior babaca”, “se
quiser
ficar no grupo vai ter que ser assim”.
Causas
imediatas:
1.
Internas:
-Tentativas
de realização de certas atividades em público: seminários,
reuniões,
nas quais percebeu claramente não ter atingido o objetivo;
sensação
de inadequação intelectual: carência de conhecimento especifico,
gerando
despreparo em relação à profundidade e a seqüência adequada das
idéias a
serem expostas;
não se
permitir errar: o trauma e a dor associados a fratura na auto-imagem
trava o
corpo e bloqueia o cérebro;
falsa
crença de não ser extrovertido o suficiente.
Externas:
Contexto
repressivo: no âmbito político, social, cultural, religioso, familiar
ou
profissional;
Perceber-se
inadequadamente trajado; ou carente de material audiovisual
apropriado;
SOLUÇÕES
Os
pré-requisitos que auxiliam na eliminação do medo oratório:
1.
Auto-conhecimento;
2. Uso
estratégico de recursos para o desenvolvimento do autoconhecimento;
3.
Conscientização dos próprios limites, identificação dos pontos fortes a
serem
explorados na personalidade e reprogramação mental.
Atuarei
em três frentes para eliminar a presença do medo oratório e suas
conseqüências
físicas e mentais: o plano mental, o plano da fala, e o plano do
conhecimento
específico.
1. PLANO
MENTALO
medo de
falar em público esta alojado nas profundezas do
inconsciente.
Todas as manifestações acima elencadas aparecem
automaticamente
e impõem-se tiranicamente, apesar de toda a força de
ponderação
do consciente. Fomos criando essa auto-imagem inadequada
através
da nossa imaginação respaldada por experiências pessoais que
supervalorizamos,
e que agora levantam-se quais fantasmas a nos
assombrar,
diminuindo nossa percepção, consciência e direito de
exercer
nossas reais potencialidades.
Que
estratégias viabilizam a mudança da auto-percepção nos
níveis
consciente e inconsciente?
A
REPROGRAMAÇÃO MENTAL E A TÉCNICA DE
VISUALIZAÇÃO
AUTO-INDUZIDA.
Conquistando
eloqüência:
Deite-se
em decúbito dorsal, (abdômen para cima), solte-se e
relaxe.Respire
calma e profundamente por alguns momentos. Desliguese
de tudo.
Sua freqüência mental baixará de 13 a 25 ciclos por segundo
a um
nível de 8 a 12 ciclos, (é chamado de estado de vigília relaxada,
considerado
o Ideal para a aprendizagem, favorece a atenção e a
concentração)
uma música erudita ao fundo, ajuda a estimular o estado
alfa (um
CD do Kitaro, Yanni, Aurio Corrá...) embora a música triplique
a facilidade
da indução a este estado de consciência, baste que a pessoa
se acalme
e respire tranqüilamente que a freqüência mental abaixa..., em
nível
Alfa, traga à tona um fato da infância, adolescência ou profissional
que tenha
sugestionado negativamente sua auto-expressão em público.
Veja
todos os detalhes nitidamente. Ouça os sons com perfeição e reviva
as
sensações intensamente.um momento em que você passou por um
embaraço,
como voz embargada, mãos suadas e pernas trêmulas, com
um branco
mental ou deparou-se com críticas depreciativas e
experiências
que marcaram sua auto–exposição em público.Imagine-se
de volta
aquele cenário, veja o rosto da pessoas, agora, observe-se
claramente
no domínio da situação, observe-se claramente, veja como
está
vestido, penteado. Ouça a própria voz e todos os sons do ambiente,
sinta
nitidamente todas as sensações de estar falando para este grupo de
pessoas,
de forma congruente, carismática e eloqüente, você vê seus
olhos se
arregalarem, a boca deles se abrirem em espanto, você os está
conquistando
para você. Veja-se crescendo e eles diminuindo,
encolhendo.
Basta agora diminuir os aspectos visuais, auditivos e
cinestésicos
da imagem 1 até torna-la inexistente, e portanto, inoperante.
E em
relação a imagem 2, proceder de maneira inversa. Ressaltar todos
os
aspectos visuais, cinestésicos e auditivos.
O efeito
do exercício acentuará, se sobrepuser a imagem 2 sobre a
imagem 1
repetidas vezes e com alta velocidade.
Treine essa
visualização durante pelo menos três semanas.
Referências
internas fortalecedoras:
Procure
trazer à tona uma série de acontecimentos em que efetivamente
participou
e que segundo sua avaliação e de outras pessoas que
presenciaram,
foi significativamente bem sucedida:
1. quando
ainda pequeno e em âmbito familiar, algum fato ou elogio
recebido
e que ainda lembra;
2. em
alguma competição esportiva em que se destacou ou foi
premiado;
3.
qualquer trabalho escolar que tenha realizado e no qual recebeu
nota máxima
ou foi mencionado perante o grupo;
4. as
primeiras aproximações bem sucedidas para fazer amizade;
5. as
primeiras tentativas em que teve êxito ao aproximar-se para
conquistar,
namorar ou casar;
6.
realizações profissionais de destaque, promoções, convites ao
ocupar
cargos de destaque;
7.
qualquer menção de destaque sobre alguma virtude percebida e
mencionada
por pessoas do convívio social ou profissional;
8. faça
um inventario das habilidades que adquiriu através dos anos,
em
qualquer área.
Nessas
três semanas, volte inúmera vezes a todos esses fatos que são
extremamente
expressivos para si próprio, referentes a sua valiosíssima
história
pessoal e por longos momentos , reviva-os na íntegra. E para
potencializar
estas referencias fortes, traga-as à tona na imaginação,
reforce
suas características visuais, isso vai expandir e acentuar seu
poder de
ação sobre suas convicções e crenças sobre si mesmo.
Ancoragem
O simples
fato de pertencermos a um contexto nos deixa
susceptíveis
a âncoras. O que é a ancoragem? Ancoragem é uma
associação
consciente ou inconsciente de estímulos específicos internos
ou
externos. O orador que possui um forte estado interno é capaz de
colocar o
auditório em uma vibração muito semelhante a sua e favorecer
o
estabelecimento de um clima de concentração, entendimento e
assimilação.
Estratégias
para o cultivo desse estado interno rico de recursos ao
expressar-se
em público usando a ancoragem:
1. por
associação de imagens: reviver uma experiência extremamente
positiva
e que esteve em estado intenso, centrar a atenção e revive-la
intensamente.
Quando estiver no auge das sensações, mudar o foco
da
atenção transferindo este estado para a experiência de expressarse
em
público e visualisar-se comunicando-se com desenvoltura.
2. por
associação de sons: trazer à tona uma experiência rica em que
alguém se
dirigiu a você e disse como estava bem vestido, ou que
realizou
um ótimo trabalho profissional. Concentrar-se intensamente
nos sons
daquele momento e transferir este estado interno para o
expressar-se
em público, escutar a própria voz falando com
desenvoltura
para o público.
3. por
associação de sensações: reportar-se a um fato que o colocou em
um estado
emocionalmente rico de recursos, Concentrar-se nas
sensações
físicas e emocionais. No momento mais intenso, transferir
este
estado interno de enlevo às sensações ao apresentar-se em
público,
amplia-las intensamente e mantê-las.
Quanto
mais rapidamente fizer a transposição das experiências, mais
rápida e
segura a ancoragem. Pode ser feito dias antes da exposição e,
principalmente
minutos antes, enquanto aguarda ser chamado para falar.
Esta
estratégia garante um começo forte que permite expressar todo o
potencial
intelectual e mobiliza toda a sensibilidade humana do orador.
O ser
humano integrado e totalmente seguro de seu potencial,
comunica-se
por inteiro, permite descontração, entendimento e
assimilação
profunda das suas idéias por qualquer auditório.
2. PLANO
DA FALA:
Uma das
soluções mais seguras a respeito do medo é a eliminação das
fantasias
através da realização daquilo que causa o medo. Portanto:
*Sempre
que convidado a falar em público, aceite prontamente;
*Crie um
estado interno positivo; mantenha com você a predisposição
interna
para falar;
*Provoque
oportunidades para expor o que pensa diante de um grupo de
pessoas;
*Preste
atenção em quando e como começa a sentir o medo, e aos
poucos,
aprenda a mudar o foco, pois assim estará mudando o estado
interno;
*Enquanto
fala, concentre-se no que diz e faça uso da linguagem não
verbal o
mais natural possível.
Contra
fatos não há argumentos: Uma vez que provamos a nos mesmos
de que
somos capazes de resistir a olhares menos otimistas ou nada
aprovadores
a nosso respeito, criamos referencias internas que acionarão
nosso
grande potencial de auto-expressão e começamos a sentir gosto
pelo
falar em público.
CONHECIMENTO
ESPECÍFICO:
A certeza
sobre a natureza do assunto e seus principais argumentos
proporciona
uma inigualável sensação de segurança. Mas, lembre-se: o
grande
orador é sobretudo um grande leitor. Portanto, a segurança
interna
tem um preço:
*A
disposição em conhecer muito bem o assunto sobre o qual vai
discorrer;
*Organizar
um quadro de idéias, no qual consiga localizar rápida e
perfeitamente
cada item a ser apresentado;
*Ter
certeza de que as idéias estão atualizadas;
E estar
consciente de três coisas:
*A
expectativa, o enfoque e o grau de profundidade de análise aguardado
pelos
ouvintes.
Procedimento
ao confrontar-se com Perguntas:
Que
atitude tomar se o auditório fizer perguntas durante a
explanação?
Com
certeza, o mais provável é que você vai responde-las, porém esteja
atento
para o seguinte:
Esteja
certo de que ouviu bem;
Identifique
se existem varias perguntas em uma só, e se ouver ajude a
pessoa a
perguntar corretamente;
Esclareça
os termos e divida a pergunta em varias partes, caso seja uma
pergunta
múltipla;
Tenha
certeza de que todos no auditório ouviram a pergunta, caso
contrario,
repita-a em voz alta;
Escolha o
melhor ângulo para responder, levando em consideração
quatro
fatores: o contexto, seu conhecimento, o interesse do inquiridor e
o
interesse do auditório;
Se for
questionado sobre fatos, responda direta e resumidamente;
Quando
questionado sobre opinião controvertida, responda
conceitualmente
e sustente sua resposta com fatos;
Evite uma
resposta que desfoque a exposição, e sobretudo evite que o
perguntador
monopolize o tempo e o espaço.
ATITUDES
MENTAIS DESINIBIDORAS:
Tenha consciência de que a
segurança é uma conquista e como tal adquire
aos
poucos. Por isso busque diariamente:
Quando em
conversa com as pessoas, procure ter presença
expressiva,
exercitar a autoconfiança e a auto-valorização;
Sempre
que convidado, e mesmo quando não convidado, procure
espaço
para dizer o que pensa;
Não tenha
receio de ser autentico, não se preocupe com o que os
outros
vão falar; toda personalidade genuína é forjada de dentro para fora;
Em todas
as ocasiões mantenha uma postura pró-ativa; quando entrar
em nível
alfa mentalize-se expressando-se com total desenvoltura;
Lembre-se
de que você não é o único a ter medo de expressar-se em
público;
Saiba que
o auditório percebe muito pouco o nervosismo do orador;
Reconheça
que os ouvintes buscam informações específicas sobre um
assunto
determinado, e, que normalmente o auditório não está ávido para
identificar
imperfeições no orador;
Minutos
antes de apresentar-se desvie a atenção do assunto, bem
como das
palavras que irá expressar, focando a atenção em uma pessoa ou
objeto –
facilita dispersar o excesso de concentração;
Antes das
primeiras palavras, faça uma respiração profunda; no início
da fala,
o volume da voz e a força dos gestos devem ser moderados.
O medroso
não é um fracassado. Apenas constata que em determinadas
situações,
sente-se impedido de dar vazão a todo o seu potencial. O que
diferencia
o medroso de um covarde é a estratégia utilizada para eliminar o
medo. O
covarde foge das conseqüências do medo, ele foge do que o medo
promete
lhe trazer, enquanto que o medroso consciente, busca identificar as
causas do
seu medo para elimina-la: seja a falta de conhecimento, ou a falta
de
prática, e identificando as causas, ele se liberta para sempre de suas
constrangedoras
e indesejáveis conseqüências.
3. DISCURSOS
Expressar-se
habilmente em público tem ligação profunda com ciência e
arte. É
ciência quando possui estratégias especificas que apóiam e otimizam
o
potencial humano. É arte enquanto possibilita a mais pura e autentica
expressão
do saber e do sentir humano.
Além da
segurança pessoal o orador precisa ter certeza que está à altura
das
exigências do público em termos de conhecimento relativo ao assunto
tratado.
O orador precisa administrar com maestria todas as variáveis de
uma
exposição bem sucedida. Discursar não é a arte de falar muito, mas a
arte de
expressar muito, falando pouco.
A
expressão bem estruturada refere-se às oportunidades de análise
sistemática
de um conjunto de idéias. Tal colocação pode ter lugar em um
discurso,
palestra ou seminário. A estratégia básica em todas as formas de
exposição
oral é muito semelhante. O que varia basicamente é o
instrumento
utilizado para facilitar a exposição.
Para
melhor esclarecer este assunto, analisarei os seguintes itens:
Pré-requisitos,
princípios da exposição de improviso, e princípios
referentes
à exposição preparada.
3.1
PRÉ-REQUISITOS
Elencarei
aqui um conjunto de atitudes que enriquecem sobremaneira a
comunicação,
quando observadas com outros elementos de oratória:
O abc da
informação: quando?, onde?, por quê?
Uma
exposição de idéias esta sempre relacionada com o fator tempo,
com um
espaço físico determinado e com suas razões específicas.
1.Em que
lugar ocorrerá e evento e quais os recursos didáticos que estarão
disponíveis?
2.certificar-se
do horário exato em que terá lugar a conferencia sob minha
responsabilidade;
3.
Verificar se o tema abordado tem alguma ligação com eventuais datas
históricas
ou comemorações significativas da instituição;
4. Haverá
apenas a minha exposição ou serei apenas um de uma série de
palestrantes,
e quais são os temas dos outros palestrantes?
5. O que
os organizadores do evento, bem como os participantes,
pretendem
conhecer sobre o tema?
6. Quais
as razões do convite? Acredito que estou à altura das expectativas?
Clareza
sobre a natureza do assunto
Decorre
da consciência de que o auditório é o centro de qualquer
expressão
verbal, e por isso o orador deve ter em mente o contexto e as
necessidades
dos ouvintes. Para tanto ele precisa perguntar-se:
1. Qual o
tema específico a ser abordado?
2. Em
quais aspectos devo tecer considerações mais detalhadas e
profundas?
3. Qual o
tipo de enfoque que o momento vai pedir? Político, econômico,
social,
filosófico, jurídico, psicológico, educacional, religioso, cômico,
sério,
cultural, holístico, jornalístico?
TEMPO
DISPONÍVEL PARA FALAR
O
conhecimento do tempo disponível possibilita uma adequada
preparação
estratégica tanto quanto à abrangência do assunto quanto ao grau
de
profundidade com que o orador vai abordar o tema do discurso.
Da
abrangência: a opção
por uma visão geral do assunto pode causar
desinteresse,
caso o orador não consiga fazer o auditório achar o fio condutor
que liga
as grandes idéias sobre o tema. Na hipótese do auditório estar a procura de
informações profundas sobre o tema, certamente sairá frustrado.
Da
profundidade: A
abordagem de um assunto que tenha o cuidado de
tecer
comentários sobre todas as implicações pertinentes ao tema, requer um
grau de
conhecimento específico profundo, que, ao mesmo tempo, não
sacrifique
a visão de conjunto sobre o tema.
Estratégias
do expositor ao abordar o tema
Este
aspecto estará sempre relacionado a natureza do assunto e ao
tipo de
auditório. Normalmente espera-se do expositor uma interconexão
entre as
duas principais abordagens:
1.
Priorizando o racional:
O orador
apresenta o assunto da maneira mais técnica possível, utiliza o
raciocínio
lógico e procura ser o mais claro possível, falando estritamente
o
necessário.tem como vantagem a precisão, a clareza, e a razão direta ao
seu lado,
e como desvantagem: facilita a divagação do auditório, exige
elevado
grau de motivação do auditório, caso contrário assimila pouco
devido a
dispersão; feedback inexpressivo, e dá a impressão de que o
orador
não acredita no que diz, pois, somente a reta razão, sem um pingo
de emoção
tem um baixo poder de persuasão e comoção.
2.
Priorizando o emocional:
O orador
que tem como ponto máximo de preocupação o auditório,
teatraliza
o discurso. Explora habilmente sua personalidade fazendo
gestos
eloqüentes, movimentando-se, trabalhando bem a expressão
fisionômica,
citando exemplos vivos e bem adaptados ao auditório.
Sugere
expressivos quadros que vão moldando a imaginação dos
ouvintes.
Tem como
vantagens; um ótimo envolvimento com o auditório, facilita o
entendimento
do assunto, pois os ouvintes acompanham atentamente
cada
idéia, registrando-as com vivacidade; Há uma boa assimilação e
uma boa
retenção; que é resultado da boa vivencia das informações
recebidas.
Por outro lado, as desvantagens são; que alguns participantes
podem se
empolgar com a dramatização e deixarem passar despercebidas
idéias
básicas e detalhes importantes, ou o orador pode exceder-se no
tempo.
Qualidade
São
competências essenciais adquiridas pelo uso adequado das
regras
básicas da retórica, e que emprestam maior precisão, clareza,
dinamicidade
e energia às preleções:
VOCABULÁRIO:
As
palavras são a forma de como representamos, de
como
traduzimos o que ocorre fora e dentro de nós mesmos. Quanto
mais
amplo, mais flexibilidade adquirimos e mais acertadamente
moldamos
as nossas convicções e as do auditório, e enquanto tal, maior
é o
impacto sobre as nossas ações e as dos ouvintes. É o instrumento
perfeito
para expressar-se com exatidão, eloqüência e dinamismo. Ouso
correto
do vocabulário é um dos fatores determinantes do discurso
expressivo.
Porém, tenha sempre o cuidado de adequar seu vocabulário
ao
universo intelectual do auditório; usar poucas expressões em línguas
estrangeiras;
e evitar a todo custo o uso de gírias e palavrões.
A
linguagem técnica é permitida apenas em exposições de cunho
especializado
ou científico. Para as demais apresentações dê preferência
à
linguagem levemente formal. E evite sempre que possível a linguagem
coloquial.
Uma
pessoa que cursou o nível superior usa em média de 5.000 a 12.000
palavras.
Uma comunicação fluente e expressiva exige 3 vezes mais,
pelo
menos 25.000 a 35.000 palavras. Qual a estratégia segura e que
consuma o
menor tempo possível para ampliar o vocabulário?
Adotar o
habito de ler pelo menos três dicionários: o dicionário léxicosemântico,
que
revela o significado textual das palavras, e o sentido
contextual,
conotativo que as palavras assumem em um determinado
contexto;
um dicionário etimológico- que indica a origem das palavras e
sua
composição; sua derivação sufixal e prefixal, seus radicais gregos e
latinos;
um dicionário de sinônimos, que oferecem uma vasta riqueza de
sinônimos
aproximados ou perfeitos, e ainda um dicionário analógico
que
apresentam idéias e expressões para idéias afins.
A
ampliação precisa ser gradativa. Todos nos temos três vocabulários:
O
vocabulário social: com o conjunto de palavras usadas comumente em
conversações,
jornais e revistas não especializadas;
O
vocabulário específico: com palavras e expressões referentes a uma
específica
do saber humano, tais como: medicina, engenharia,
oceanografia,
informática, etc.
O
vocabulário correlato: que é o conjunto de palavras e expressões sobre
as áreas
que apóiam o conhecimento especifico, tais como: Filosofia
apoiando
a Sociologia, a Matemática apoiando a Engenharia etc.
Como
transformar o vocabulário passivo em ativo?
Todo
orador deve ter um rico vocabulário. Um bom exercício diário de
enriquecimento
consiste em formar um dicionário pessoal; pode começar
com um
pequeno caderno ou agenda, onde você vai anotar as palavras
desconhecidas,
de A a Z, colhidas no próprio dicionário especifico de sua
área, e
que serão consultadas depois para uma troca por sinônimos. Aqui
no
Brasil, temos o Aurélio, o Caldas Aulete, e o Hoaiss, e temos
inúmeros
dicionários específicos: de Psicologia, de Política, Jurídico, de
Ciências
Sociais etc, é importante que o orador escolha o que quer
aprender
e depois construa pelo menos umas três a cinco frases com
cada
palavra nova aprendida, de modo refletido, bem pensado, e pouco a
pouco seu
vocabulário estará mais exuberante e adequado próprio para os
embates
de uma assembléia.
Na
expressão oral o consciente ocupa-se da seqüência lógica das
idéias,
enquanto que o inconsciente faz fluir as palavras que dão corpo
aos
pensamentos do orador.
O melhor
ponto de partida para uma palestra bem-sucedida é se
sentir
seguro e relaxado quanto às palavras que você estará falando.
Assim, ao
escrever o discurso, construa as frases de forma simples.
Pense na
Platéia como uma única pessoa – isso contribuirá para criar um
“clima de
intimidade”. Oradores de sucesso fazem a platéia pensar que a
mensagem
é dirigida exclusivamente a eles, o que ajuda a prender a
atenção.
Para ter certeza de que você soa natural, grave uma fita cassete
lendo o
rascunho do discurso, então escute-o e emende o discurso onde
for
necessário.
Dicas:
Use
orações simples e diretas; use os pronomes “você” e “eu”; espalhe
porções
generosas de adjetivos pelo texto; prepare e ensaie as frases para
evitar
tropeços; inclua exemplos e analogias que ilustrem as idéias
principais;
não use jargões ou linguagem imprópria; não recite lugares
comuns e
frases feitas que todo mundo usa; não polua o discurso com
dados
irrelevantes; não sufoque a platéia com muitos detalhes; terminado
o
primeiro rascunho, é hora de começar a aparar os excessos. Leia-o do
começo ao
fim para assegurar-se de que os fatos estão corretamente
priorizados
e toda informação essencial esteja incluída. Preencha o
material
com exemplos relevantes para reforçar os conceitos centrais. E
por fim
use exemplos de interesse particular, que não são essenciais mas
aumentam
o prazer na platéia em ouvi-lo devido ao bom humor e a
especificidade.Tenha
em mente que um material escrito é diferente de
um
falado, soa diferente. Aprenda a escrever sua palestra em estilo oral,
que siga
padrões naturais da fala, como verbos na voz ativa, uso da
primeira
e segunda pessoa, citando primeiro os fatos mais interessantes
ou mais
importantes, o que é preciso saber; depois o que se deveria
saber, e
só por último o que seria bom saber.
Varie o
volume, a intensidade e a velocidade da voz; essa
modulação
mostra que você expressa idéias e não justapõe palavras.
Estratégias
para tornar inteligíveis e inesquecíveis as
idéias;imprimindo
força a exposição:
Para
fazer pensar: use definições; para esclarecer: use explicações; para
interessar:
use pormenores; para fazer ver: use comparações, analogias,
contrastes;
para convencer: cite fatos e dê exemplos, traga testemunhos
e
depoimentos.
3.2
ESTRATÉGIAS DE DISCURSO
Há
ocasiões em que tomar a palavra, tornar público o que pensamos,
estar no
centro das atenções por um certo tempo, pode ocorrer de uma
hora para
a outra- situação denominada falar de improviso; ou, sob o
aspecto
formal, somos indicados para falar sobre determinado assunto
em uma
data marcada- trata-se de palestras, seminários ou discursos que
obviamente,
serão preparados.
3.2.1
PRELEÇÃO DE IMPROVISO
consiste
em ser convidado para falar inesperadamente sobre um assunto
do qual
temos informações acumuladas. Improvisar não se refere ao falar
sobre um
tema para nós desconhecido. Pelo que sabemos só tem um ser
que criou
o universo do nada: Deus. O homem precisa de material préelaborado
para
construir seu universo elocucional. Falar de improviso
consiste
em expressar nossa opinião sobre um tema sobre o qual ainda
não temos
uma seqüência clara das idéias, por não termos tido tempo
para
prepará-las.
Caso
fôssemos convidados a falar sobre nossos medos, sonhos,
trânsito,
nossa profissão, pena de morte, consumo de drogas- com
certeza
teríamos nosso lugar garantido diante do público e proferiríamos
um
pequeno discurso sobre o assunto escolhido.
Quando
convidado a falar de improviso é uma gafe fazer
considerações
preliminares que chamem atenção para nosso despreparo:
“estou
despreparado”, “se tivessem me avisado antes”, “fica difícil dizer
algo
assim de repente”...pelo contrário, o convidado deve levantar-se e
começar a
falar como se fosse a pessoa ideal para o momento e o
assunto.Isto
demonstra visão abrangente, maturidade e auto-confiança,
inspirando
admiração ao público.
O sucesso
da abordagem de improviso depende muito da presença de
espírito
do expositor; da inspiração e do envolvimento com o assunto; da
destreza
em organizar as idéias que possui- e uma dica útil é manter um
estoque
de analogias, colecionar histórias interessantes, manter um
arquivo
pessoal de recortes, tanto de jornais ou de revistas, com assuntos
de
interesse pessoal, e os assuntos mais veiculados na mídia, e a cada
três anos
fazer uma reciclagem: muitas pessoas assinam revistas e
jornais e
devido a falta de tempo, ou de organização pessoal, vão
acumulando
muita informação inútil junto com verdadeiras
preciosidades;
separe um tempo para criar um painel de interesses,
separando
por categorias as áreas que mais estão lhe chamando a
atenção
no momento, e as coisas e assuntos que mesmo daqui a cinco
anos você
estaria interessado em ler, saber, ou ocupar seu tempo. Pegue
um
estilete e destaque os artigos de revistas como: Veja, Isto É, Super
Interessante,
Globo Rural, Informática, Vida e Saúde, etc. agrupe-os por
categorias:
saúde, educação, comportamento, escândalos, religião,
Moda,
política, Conflitos Internacionais, ética, etc.colocando cada grupo
de dez à
vinte artigos em uma pasta de cartolina, nomeada conforme o
assunto
que foi lido, ou a ser lido. Este material servirá de ótima fonte de
pesquisa
e material de apoio para elaboração de mapas mentais,
diagramas
e roteiros de discursos e redações. Na Internet, cada site
contém
informações que podem ser acessadas, gravadas, impressas e
usadas
como material de referência. Uma das principais vantagens da
internet
é que a informação divulgada na internet esta mais atualizada do
que na
imprensa. Não confie apenas em livros antigos e empoeiradosexplore
novas
fontes de referência. Sua apresentação, mesmo de
improviso
será mais atraente para a platéia e soará fresca e inovadora, em
vez de
embolorada por fontes já citadas à exaustão.
Use
palavras chave em robôs de busca como o www.google.com.br
, para
pesquisar
material de referência, relevante na rede mundial,quanto mais
específicas
as palavras chave, maiores as chances de achar dados
procurados
em um tempo razoável. Arquive quantidades grandes de
material
em bancos de dados computadorizados, que podem ser
adquiridos
como programas prontos ou feitos sob medida para seus
propósitos.
Quando
pego de surpresa, abordagem ampla é mais simples do que tecer
afirmações
exatas.
Como
Proceder:
1.Esteja
preparado para uma possível fala de improviso;
2.Envolva-se
com o assunto que esta sendo analisado e agrupe algumas
idéias
que poderá expressar, se eventualmente for convidado a opinar;
3.Comece
sempre por um exemplo: é mais fácil de narrar do que um
fato,
enquanto isso ganha-se tempo para organizar as idéias que se
pretende
expressar;
4.busque
o que dizer em diversas fontes: no auditório(referir-se a alguém
presente
que tenha liderança ou representatividade), no tema central, na
contextualização
do assunto central, na própria experiência profissional e
na
memória, recordações do arquivo pessoal de recortes, afinal cultura é
tudo o
que sobra daquilo que você esquece;
5.desenvolva
analise de assunto correlato ou cite um exemplo: é
imprescindível
ter estreita ligação com o assunto sobre o qual se está
prestes a
falar, de modo que prenda a atenção e instile a curiosidade nos
ouvintes;
6.Se possível
fazer um breve quadro de idéias sobre o que irá explanar;
7.
evitar: divagar, desviar-se do assunto e ser prolixo ( o limite de tempo de
um
improviso é de 5 minutos).
ATITUDE
INTERIOR:
Decida
tirar o máximo proveito possível da oportunidade oferecida; ocupe o
espaço
oferecido sem o compromisso de extrapolar-se; aproveite o desafio
para
treinar a imaginação, a presença de espírito, a velocidade mental de
organização
das idéias e de agir diante do inusitado.
CONSEQÜÊNCIAS:
A
habilidade de falar de improviso traz, pelo menos três ganhos
fundamentais:
1. A
confirmação de que se é capaz de levantar e pensar em pé de modo
organizado
diante de um grupo de pessoas, e que você pode expressar
suas
idéias em pé diante de um auditório;
2. No
discurso preparado corre-se o risco de esquecer a seqüência das
idéias ,
neste caso, não entrará em pânico, pois sabe que poderá
continuar
a análise do tema improvisadamente;
3.
Estimula sobremaneira a auto-confiança.
3.2.2
PRELEÇÃO PREPARADA
Expressar-se
com clareza: convencer, persuadir e comover exige
integração
perfeita entre três elementos complementares: o que se diz,
quem fala
e quem ouve, o emissor emitente falante, o receptor, e a
mensagem
falada. Porém, o maior segredo consiste em identificar-se
profundamente
com o assunto sobre o qual discursa, pois isto propiciará
naturalidade,
vibração, segurança e eloqüência.
Um
discurso bem preparado é a maior garantia de sucesso ao falar
em
público. Percebe-se logo quando o orador está bem preparado, pois
ao
abordar o assunto, é necessariamente preciso, sistemático, lógico, traz
bem
delineado o caminho pelo qual levará o auditório aos aplausos ou a
ação.
Características
essenciais:
O
conferencista que separou tempo para sistematizar estrategicamente suas idéias, agrega os seguintes valores:
1.
Precisão, clareza: faz uma integração perfeita entre o foco central e suas idéias complementares.
2.
Reforça as idéias essenciais: pois tem clareza de objetivos e visão de conjunto do assunto;
3.
Envolve e mantém o auditório atento na medida em que cria um quadro mental das idéias expostas;
4. Parte
do raciocínio mais simples para o mais complexo, dosando com equilíbrio o grau de profundidade do assunto à
compreensão dos ouvintes;
5.
Procura criar interesse, aguçar a atenção, e tornar memorável o que fala;
Níveis de
preparação
Existem
dois níveis de preparação: a remota e a imediata.
1. Preparação
Remota: Refere-se a estrutura do orador enquanto personalidade e ao caldo cultural, ou lastro de
conhecimento adquirido através das experiências da vida
e suas pesquisas cientificas.
Principais
características de uma preparação a longo prazo:
1.
Apaixonar-se pela leitura: o grande orador é , via de regra um grande devorador de bons e grandes autores.
2.
Aceitar-se consciente e inconscientemente como orador;
3.
Deixar-se absorver pelo tema: isto garantirá um discurso empolgante e cheio de vibração;
4. falar
de algo que tenha competência adquirida pela experiência e pela pesquisa;
5.
certificar-se de que esta empolgado pelo tema: as idéias brotarão e fluirão em profusão, e isto certamente facilita a
comoção do auditório;
6.
Adquirir uma postura que revelo descontração, segurança, equilíbrio, naturalidade, sensibilidade e comunicabilidade;
7.
Desenvolver poder de reserva: percebemos a importância da leitura no momento das perguntas; o orador que lê tem o hábito
de fazer fichamento, por autor e por
assunto, tem ótima reserva de informações essenciais, complementares e
correlatas.
8.
Manifestar domínio do assunto no momento em que fala.
9. buscar
sempre o auto-aprimoramento, a auto-observação e o treino para aperfeiçoar sua capacidade de comunicação.
2.Preparação
imediata:
Trata-se
da estratégia correta da organização das idéias, da retenção das informações e da disposição mental e emocional.
2.1Delimitar
o assunto; tema e tempo devem estar bem conjugados, isto cria disposição para ouvir, pois não é o simples falar
que persuade, mas o falar estrategicamente;
2.2
Procurar obter informações sobre o auditório: nível sócio-econômico, aspectos culturais, ideologia, o que espera ouvir a
respeito, por que ângulo
vê o
assunto, qual o grau de expectativa e as principais razoes de estar presente;
2.3
Elaborar um quadro de idéias: conciso porem completo, deve conter
as idéias
que ao mesmo tempo que possibilitam uma visão ampla, também contenham argumentos que atinjam os detalhes
complementares;
2.4
Verificar se há uma complementaridade entre argumentos racionais e apelos emocionais, isso possibilitará a atenção
constante do auditório e uma melhor compreensão do
assunto;
2.5.1
Certificar-se de que chegará a tempo de proferir o discurso na hora prevista: o auditório detesta esperar e costuma não
tolerar desculpas por atrasos;
2.6
Minutos antes de começar : repassar mentalmente o quadro de idéias e descontrair-se.
ELABORAÇÃO:
Ao
possuir um roteiro mental a ser seguido, torna-se possível a
excelência
na integração dos três elementos essenciais: orador- discursoauditório:
ORADOR:
segurança, desenvoltura, poder de convencimento e persuasão;
DISCURSO:
flexibilidade, lógica, coerência, fluência e clareza;
AUDITÓRIO:
confiança, abertura, admiração, concentração e facilidade de
intelecção.
Este é um
dos aspectos mais defasados. É comum encontrarmos expositores
apreensivos
porque não sabem exatamente as idéias que irão abordar e, muito
menos, a
seqüência mais adequada em que deverão expor suas idéias.
É fundamental
que haja o amadurecimento das idéias: após a concepção do
assunto é
natural começarmos a pensar sobre as idéias que iremos usar para
esclarecer
o público. É importante proceder segundo as três regras da
criatividade:
concepção, incubação e forma.
Procede-se
em dois momentos:
Inventário:
consiste
no levantamento de todos os itens já conhecidos e que
poderão
ser abordados. Esta etapa caracteriza-se por:
Não ter
um tempo pré-fixado de duração; uma forte presença da imaginação e da criatividade; um período ilógico chamado de tempestade
mental- onde não importa a seqüência de idéias, nem tão pouco sua
pertinência, mas apenas sua quantidade, por isso é necessário deixa-las fluir,
sem julgamento ou censura; apanhe tudo o que tiver relação com o assunto; seja
universal, isto é não privilegie um enfoque apenas, procure ser poli-prismático
ao máximo.
Traga à
tona todas as informações, independente do ângulo pelo qual
será
abordado posteriormente.
Pesquisa
Complementar: Caso
perceba falta de profundidade, de
atualização,
é imprescindível consultar manuais e profissionais
competentes,
tornando possível uma abordagem segura e com
profundidade
de análise, pode causar impacto, pois a atualização e o
arrojo de
novas idéias, selecionadas dentre as melhores pessoas e dos
melhores
autores tendem a impactar o auditório pelo peso da autoridade
e da
novidade com que se apresenta um lampejo de luz sobre o assunto
analisado.
ORGANIZAÇÃO
DO QUADRO DE IDÉIAS:
Tão
importante quanto à postura, à impostação da voz, os gestos, o
olhar- é
a lógica, o encadeamento das idéias apresentadas. É necessário
que o
orador priorize as idéias pela sua importância e posicionamento
estratégico.
Objetivo:
o quadro
de idéias torna possível ao orador:
1. fluência e desenvoltura; pois não
esta preso a palavras, mas a linha de
idéias;
2. Maleabilidade; o orador pode
facilmente adaptar as idéias à linguagem
do
auditório e ao contexto;
3. Segurança: devido ao acesso
rápido e preciso ao banco de dados
mental;
4. Eliminação do branco:
dificilmente alguém conseguirá esquecer uma
seqüência
de idéias, enquanto que facilmente podemos esquecer de
frases e
textos;
5. Visão de conjunto: ter definido o
quê, por que e onde se quer chegar
com as
idéias de que se dispõem é primordial, pois assim dificilmente
o orador
vai perder-se em detalhes sem importância;
6. Responder com presteza as
perguntas: o orador saberá dizer se deve
responder
naquele momento ou abordará a pergunta no decorrer da
explanação,
pois tem uma visão de conjunto das informações;
7. O auditório assimila em
profundidade: o comunicador reconstrói com
o
auditório sua visão de conjunto e passa a explanar todas as idéias
afins,
desta maneira, o orador torna a palestra facilmente
compreensível
e memorável.
CARACTERISTICAS
DO QUADRO- DE- IDÉIAS:
1. Contém
somente palavras-chave, nas quais expressamos nossas idéiasembora
isto não
dispense as particularidades, tais como: exemplos,
citações,
estatísticas, comparações e definições;
2.
Encadeamento lógico entre as palavras –chave: é a conseqüência da
organização
das idéias de forma lógica por parte do orador;
3.
Concisão: quanto menos escrever, melhor- mas não em detrimento do
assunto,
ou de modo que sacrifique a compreensão;
4. Posição
de visibilidade das idéias no papel;
5. Força
do encadeamento estratégico das idéias, posicionadas onde tem
maior
poder de fogo;
6. A
autenticidade e a originalidade propiciam maior segurança e maior
impacto;
7.
subdivisão da complexidade de modo a facilitar a identificação da ordem
lógica e
da interligação das idéias entre si.
As idéias
podem ser ordenadas através dos seguintes métodos:
*Cronológico-
Linha do tempo;
*Seqüência
Natural das idéias- Método Lógico;
*Orientação
Espacial- Método Topográfico;
*Orientação ramificada em galhos
e sub-galhos.

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