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COMO SE TORNAR UM ORADOR DE SUCESSO


DESENVOLVIMENTO PESSOAL

ORATÓRIA






1- Objetivos:


O crescimento caracteriza-se por ser gradativo. Tomar conhecimento da real capacidade inata e investir em sua expansão são condições imprescindíveis para o desenvolvimento pessoal. Ultrapassada a fase inicial, o autodesenvolvimento torna-se continuo. O sentimento de auto- conquista nos beneficia e enriquece o ambiente que freqüentamos. Constata-se três fases no processo de desenvolvimento em comunicação:



1ºBásico- Desbloqueio, ou a descoberta do orador identificar vícios de expressão : cacoetes físicos e verbais; explorar positivamente a personalidade; assimilar princípios que possibilitem a excelência ao expressar-se;

possibilitar a expressão integral: palavras, voz, fisiologia;

favorecer o auto conhecimento, conquistando autoconfiança e segurança;

adquirir princípios e critérios para o auto- aprimoramento em comunicação;

adquirir referencias internas positivas;

propiciar auto-expansão: ampliar o espaço social e profissional.



2º Intermediário- Viabilizando o potencial – Automodelando o estilo

desenvoltura ao expor idéias próprias;

dinamizar discursos, palestras, reuniões e debates;

adquirir estilo próprio;

estimular e formar a liderança;

assimilar estratégias capazes de mobilizar iniciativas;

transmitir segurança, conhecimento e flexibilidade de análise em preleções.



3º Avançado : Expressando o Orador- maestria na comunicação

Convencer uma pessoa ou um grupo de pessoas sobre a sua maneira de pensar;

Persuadir ou Comover os ouvintes na direção das suas idéias e crenças

Vender habilmente seus produtos e serviços;

Conquistar amplo espaço profissional, social e interpessoal através do ouvido

empático e do bem expressar-se;

Transmitir segurança, profundidade e convicção nas idéias;

Expor com lógica, clareza e perfeita adequação do vocabulário;

Adquirir congruência entre a expressão verbal e a expressão não-verbal;

Formar um campo gravitacional em torno de suas idéias e possibilitar a

mudança.



2. O Orador



Em discursos, palestras e seminários existem três elementos que se

equalizam: o orador com sua bagagem de conhecimentos, experiências e

personalidade; a explanação com seu conteúdo pertinente e o auditório com

quem o orador partilha seus argumentos.

O elemento integrador em um espaço de comunicação é quem fala. O

orador é um dos principais fatores determinantes do sucesso da comunicação.

Objetivando capacitar o orador, tecerei algumas considerações sobre: prérequisitos,

aspectos físicos, voz e medo.

2.1 Pré-requisitos

Existe uma grande diferença entre estarmos sozinhos e estarmos diante

de um grupo de pessoas que nos aguardam como orientadores de um conjunto

de idéias sobre uma determinada área do conhecimento humano.

È necessário que tenhamos:



Aparência agradável:

Pois dificilmente mudamos a primeira impressão que tivemos de alguém.

Portanto, é altamente recomendado:

Manifestar equilíbrio através da aparência física, isso implica estar trajado

adequadamente, inclusive observar os ditames da moda e da cultura local, caso seja apropriado usar algum ornamento, que seja adequado e sem ostentação ou exagero, de tal modo que a jóia ou adereço não roube a atenção que deveria ser orientada para a seqüência das idéias de quem fala.Uma boa noite de sono é essencial antes de qualquer apresentação.



Presença eloqüente:



Expressamo-nos muito mais fisicamente do que verbalmente. O orador

ainda não começou a falar e já temos uma idéia do andamento do discurso.

É indispensável:

Postar-se com elegância e descontração, nem arrogante, nem humilde,

mas com os ombros eretos, expressão fisionômica de harmonia, serenidade e

satisfação; movimentar-se com naturalidade, transmitindo auto-confiança,

como se você fosse o anfitrião que recebe seus convidados; expressar pleno

domínio das circunstancias e do assunto que aborda; evite qualquer

artificialismo, a maturidade permite que sejamos autênticos, jamais imitando a

terceiros.

È importante decidir de antemão a imagem que você deseja passar para o

público. Estude-se em um espelho para saber a impressão que você causa, e

não vista nada que possa servir para distrair a platéia.Como é difícil julgar a

própria aparência e a impressão despertada por ela, peça opiniões e sugestões a amigos e colegas sobre sua imagem e de como melhorá-la.



CONGRUÊNCIA



A apurada integração entre a expressão verbal e a expressão não-verbal dá o

tom que movimenta o sensível equilíbrio entre a razão e a emoção dos ouvintes.

Caracterizam a presença congruente:

Identidade constante: não pode parecer ser, precisa ser e manter, durante

todo o contato, uma postura coerente;

Estabelecimento de uma harmonia entre o assunto, os ouvintes e o

orador, através da expressão física e mental- isso facilita o entendimento e

estimula a ação.

Sensibilidade: permite desenvolver a clara percepção do que se passa no

auditório, tanto nas expressões dos ouvintes, suas reações físicas, sinestésicas,

ou mesmo perguntas e apartes, propiciando em poucos momentos a integração

das forças atuantes.



FLEXIBILIDADE



A dinamicidade da comunicação pressupõem auto-conhecimento, autoconfiança

e acentuado gosto pelo saber. Ao tornar pública a maneira como

pensa e sente, o comunicador não pode pretender a unicidade do pensamento,

mas deve estimular o pensar, o sentir, e jamais pretender padronizar como se

deve conceber a realidade:

Incentivar o livre pensar: estimular a reflexão sobre o assunto em foco, se

possível apresentar o mesmo assunto sob óticas diferentes para que facilite a

comparação de diversos pontos de vista; isso implica admitir a diversidade, é

salutar que desde o próprio momento de pesquisa, seja feito um levantamento

de todas as linhas de raciocínio que se cristalizaram sobre o assunto em análise, favorecendo a apreciação mais séria, e se possível o diálogo entre elas. Reconhecer-se em contínua formação: transmitir consciência do intenso

dinamismo do saber que caracteriza esse inicio de século, da constante revisão

de enfoques, concepções e conclusões, sobre os mais diversos temas.



QUALIDADES LITERÁRIAS



O exercício da oratória exige a sedimentação das regras básicas da língua

em que o orador se expressa. Conseqüência natural do estudo da gramática e

do elevado padrão de leitura. O uso correto de verbos, advérbios, preposições,

pronomes, etc, potencializa as vantagens competitivas do orador.

Evite, a todo custo, a erudição exagerada, o diletantismo, o preciosismo,

mesmo em meio acadêmico. A probabilidade de ser enfadonho e de dificultar o entendimento das idéias é proporcional a adequação da linguagem ao nível

cultural dos ouvintes.

A estrutura gramatical empresta ao discurso, dentre outras qualidades:

Clareza: a fluência e amplitude do vocabulário permite a correta

construção dos pensamentos viabilizando a expressão da idéia, facilitando sua

compreensão.

Adequação: o auditório é sempre a razão ultima de qualquer discurso; a

receptividade dos ouvintes esta sempre na razão direta da capacidade do orador em adaptar o vocabulário e o nível do raciocínio.

2.2 ASPECTOS FÍSICOS



Essas observações são pertinentes ao domínio do público. Trata-se da

congruência entre o que o orador expressa verbalmente e o que expressa

fisicamente através da postura, dos gestos, do olhar, e dos movimentos que faz

com o corpo enquanto fala. Farei também menção e analise dos cacoetes

físicos, pois se constituem em fator dispersivo à comunicação.



POSTURA



Expressa quem somos e o nosso grau de desenvoltura: seja em pé ou

sentado, esteja sempre com naturalidade. Quando estiver em pé, apóie o peso

do corpo sobre as duas pernas; mantenha-se sempre de frente para o auditório,

nem arcado para a frente, que demonstra medo, insegurança, nem arcado para

trás, pois também demonstra medo e insegurança, apenas disfarçado sob a

aparência da arrogância.

Cabeça: naturalmente alinhada sobre os ombros, ereta, evite abaixar os

olhos enquanto fala, pois a perda de contato com os olhos do orador, faz baixar o interesse do auditório no que esta sendo falado.

Braços: quando não estiver gesticulando, devem estar caídos ao lado do

corpo, e quando sentado, naturalmente apoiado sobre as pernas ou sobre a

mesa.

Expressão corporal forte: fazer uso também da mímica, da linguagem

não verbal ao expressar suas idéias.

Ao expressar-se em pé- não apóie-se em cadeiras, mesas, quadro-negro,

aparelho de som, evite isso, seja seu próprio eixo de apoio.



MOVIMENTOS



Criam maior dinamicidade e poder de concentração nos ouvintes; a

postura física correta revela auto-confiança e segurança; evite excesso de

movimentos lineares, pois cansa o auditório devido ao movimento de cabeça

dos ouvintes, há professores que andam como tigres presos em uma jaula, para

lá e para cá, no mesmo monótono vai-e-vem, todo movimento uniforme,

repetitivo, cansa pois causa tédio e sono em quem esta prestando atenção,

movimentos circulares, como fazem os professores despreparados, levando o

orador a dar as costas para o auditório, devem ser evitados. O melhor

movimento, que propicia maior dinamicidade, mesmo em um pequeno espaço,

é o movimento triangular, realizado sempre de forma diferente.

Não movimente-se demasiadamente depressa ou demasiadamente

devagar, pois o primeiro indica agitação interior e passa uma imagem de

descontrole, e o segundo passa uma imagem desfavorável de preguiça, doença

ou fragilidade mental.

Os movimentos devem transmitir convicção pessoal em relação as idéias

que expressa, sugiro a alguns alunos, que façam dança ou teatro ou ambos

durante pelo menos uns seis meses, quando vejo que o travamento é muito

grande.

A exploração do corpo através da expressão física auxilia muito a

comunicação, pois revela nosso pensar e como nos situamos como

personalidade no mundo.



GESTOS



Enquanto as palavras transmitem as idéias, os gestos expressam

os sentimentos. O discurso eloqüente exige uma perfeita harmonia entre a

comunicação verbal e a não verbal, entre idéias e emoções, entre os conceitos eos exemplos. Os gestos não se restringem aos movimentos das mãos, mas referem-se a tudo que manifestamos exteriormente; passo atrás, à frente, sorriso, testa franzida, diferentes nuances de olhar, posição dos ombros, posição do corpo para frente ou para trás. Os gestos são uma extensão do aparelho fonador, é a luta do corpo para expandir e ilustrar o que a voz quer transmitir. Observações essenciais relativas aos gestos:

O que melhor caracteriza a expressão física é a autenticidade: qualquer

gesto nasce do interior do orador e se manifesta em sua fisionomia, mãos, pés e todo o corpo; porém podem ser treinados, refinados, enriquecidos e adaptados aos mais diversos assuntos e auditórios; os gestos devem acontecer segundos antes ou serem simultâneos à expressão verbal, caso o orador fizesse os gestos após a fala, eles cairiam no vazio.

Os gestos, não podem ser espalhafatosos, exagerados, mas comedidos,

sempre acima da linha da cintura e abaixo da linha dos olhos; devem ser

flexíveis e variados:há pessoas que por temperamento, convívio familiar, ou

inibição dispõem de poucos gestos, sua gesticulação é limitada e repetitiva.

Sugiro que treine diante do espelho as oito formas primária das emoções e suas variações de intensidade, imagine para cada forma primária um cenário ou contexto situacional onde essa emoção seria expressa com mais vigor e

propriedade, e observe seu olhar, suas expressões faciais, seus gestos, crie uma história e dramatize os personagens que você criar. A seguir vou dar uma tabela com as emoções fundamentais, ou o rótulo que exprime o sentimento extremo mais forte, e deixo com você o exercício de criar as situações , pode ser uma pequena historia, em que você poderá colocar para fora essa emoção

determinada, e diante de alguns amigos, ou de um espelho grande, que permita

ver o corpo todo, vivenciar com detalhes cada emoção, usando a variação que

lhe for mais oportuna. Em um bom curso de oratória, você é filmado,

facilitando portanto, a apreciação de cada gesto, de como você cria contato com as pessoas, afinal é através do olhar que um conversa se torna possível, seja

pessoal, ou em massa. Como você busca atingir cada pessoa com seu olhar? As pessoas gostam de ser percebidas. Para atingir o interlocutor frontalmente

devemos direcionar o olhar para a região entre os olhos e levemente acima do

nariz. Observe como você costuma olhar em cada emoção que você for explorardiante do espelho, (claro que servido de uma câmara ficaria ainda melhor. Aqui está a tabela das emoções, você pode trabalhar cada emoção primaria durante uma sessão de 45 minutos, o que levaria a finalizar esse treino de expressão corporal em apenas uma semana. Querendo se aprofundar e intensificar o trabalho com o corpo, pode dedicar uma semana para cada uma das oito emoções básicas. É um excelente trabalho de auto- observação e um ótimo trabalho de limpeza interior.



Forma primária Variações de Qualidade e

Intensidade



MEDO Inquietação, ansiedade, apreensão,

preocupação, desconfiança,

aflição,consternação,pavor, susto, horror,

receio, palpitação, pânico, perturbação,

ânsia, tremor, timidez, trepidação,

intranqüilidade, nervosismo, cuidado



RAIVA Acrimônia, animosidade, amargor,

desprazer, exasperação, fúria,

agastamento, indignação, ira, irritação,

desagrado, mau-humor, amuo, cólera,

ressentimento, mau – gênio,

aborrecimento, furor.

ÓDIO Abominação, animosidade, antipatia,

aversão, amargor,detestação,

repugnância,desamor, inimizade,

hostilidade, má-vontade, asco,

malevolência, maldade, malignidade,

odiosidade, rancor, nojo, repulsa,

ressentimento.

CULPA Consciência do mal feito a outrem,

atrocidade, reprovação, culpabilidade,

desamparo, afastamento, agressividade,

remorso, transgressão, injustiça.

DOR Aflição, angústia, amargor, prostração,

tribulação, saudade, nostalgia,

arrependimento, remorso, melancolia,

tristeza, sofrimento, provação, opressão,

mágoa.

AMOR Afeição, apego, atração, benevolência,

solicitude, caridade, carinho, compaixão,

devoção, encantamento, predileção,

cordialidade, boa vontade, bons

sentimentos, inclinação, paixão,

interesse, bondade, estima,

consideração, simpatia, ternura.



ALEGRIA Beatitude, felicidade, animação,

vivacidade, deleite, êxtase, júbilo,

exultação, ventura, cordialidade, alegria,

regozijo, contentamento, bom humor,

hilaridade, festividade, jovialidade,

folgança, prazer, gosto, satisfação,

triunfo.

ENTUSIASMO Ardor, devoção, veemência, ímpeto,

animação, hilaridade, excitação,

fervor,travessura, vivacidade, paixão,

zelo, pique.

Falar em público não é um monólogo, mas um diálogo criado com uma

multidão. O auditório se comunica o tempo todo com o orador. Este por sua

vez, precisa decodificar as mensagens e ir adaptando o máximo possível o seu

discurso despertando um interesse intenso e uma profunda intelecção.



Cacoetes físicos



São jeitos e trejeitos executados pelo orador enquanto explana suas

idéias. Prejudica a plasticidade da comunicação e desfoca a atenção dos

ouvintes em detrimento do entendimento e assimilação do assunto.

Porque são executados?

Por mero hábito; para desviar a atenção dos ouvintes sobre a pessoa do

orador; ou ainda por nervosismo, objetivando aliviar a tensão nervosa.

Alguns cacoetes mais comuns:

1. colocar e tirar os óculos e depois recolocá-los no lugar repetidas

vezes;

2. coçar a nuca, as faces, a barba, o queixo, a cabeça ou o nariz;

3. ajeitar o paletó que vai apertando a medida que o orador se

movimenta e gesticula;

4. puxar a calça para cima;

5. apoiar as mãos nos bolsos ou na cintura;

6. alinhar o cabelo repetidamente;

Mecanismos para eliminá-los:

1. ter consciência do problema e da necessidade de superá-los;

2. identificar o que o motiva a fazê-lo;

3. canalizar a tensão nos gestos, movimentos e tom da voz;

4. evitar conscientemente executá-los.

Em oratória não devemos buscar fórmulas, mas princípios adaptáveis à nossa

estrutura pessoal. Que por sua vez deverão ser praticados conscientemente até

constituir-se em hábitos, os quais serão perfeitamente integrados à nossa

maneira de expressar-nos.



2.3 A VOZ



A voz é uma atriz que interpreta o papel da idéia. É um dos instrumentos mais

poderosos que o ser humano possui. Saber utilizar bem a voz significa, muitas

vezes, o sucesso em muitos de nossos empreendimentos. Portanto, um capitulo de fundamental importância num curso de oratória é a dicção ou califasia, que permite a melhora significativa na impostação da voz.

A comunicação verbal acontece em quatro níveis: a palavra, a colocação

da palavra na frase, a inflexão e entonação e o feedback do auditório. A califasia é a arte de tornar a palavra distinta, correta, expressiva e agradável.

A palavra distinta é aquela que é pronunciada inteiramente, com todas as

silabas, sobretudo, a sílaba tônica e a sílaba final. Por exemplo: e-vi – den- temen-te.

Evite dizer as palavras diminuindo-as, encurtando-as

desnecessariamente como acontece com o verbo estar..., alguns estudantes

para parecerem mais informais conjugam um verbo que não existe em nossa

língua : o verbo tar; eu tou, tu tas, ele tá, e assim por diante. Esse modo de

falar evidencia pobreza literária, e indigência vocabular.

A palavra correta é a que se diz de acordo com a pronuncia brasileira,

sem afetação, sem imitação da prosódia estrangeira, seja ela francesa ou

inglesa. Fale toalete, restaurante, e não toalet, restaurant. Evite a pronuncia

defeituosa de palavras com a consoante solta, isto é, consoante sem vogal:

Advogado. Ad-vo-ga-do, em que o D deve ser pronunciado sem vogal. Não

existe a pronúncia adevogado.Assim, também como nas palavras:

absolutamente, substantivo, adjetivo, advérbio, administrar, psicólogo,

substância...

A expressividade verbal supõe habilidade em colocar a voz. Impostar

corretamente a voz torna o orador distinto, provoca disposição e estimula a

receptividade dos ouvintes.

Evitar o ciciar, que é o defeito de pronunciar o C ou o S, com a ponta da

língua nos dentes. Por exemplo: O conceito de sar.

Há ainda dois defeitos de pronuncia que devem ser evitados: o

lambdacismo e o rotacismo. O lambdacismo é a pronuncia defeituosa da letra

L: crasse em lugar de classe, craridade em lugar da forma Correta claridade;

craro no lugar de claro.

Rotacismo é a pronuncia defeituosa do R. pronunciar litorar no lugar de litoral, trocar mal por mar, pranta por planta, e assim por diante.

O orador deve condicionar a voz, isto é falar de acordo com o tamanho do

auditório. Não deve elevar a voz diante de um pequeno auditório, mas fale aos

presentes em voz condicionada, isto é bem proporcionada e regulada.

Existem oradores que confundem eloqüência com estridência, a arte de

convencer com a arte de gritar, não é gritando que se convence ou persuade. O

orador deve argumentar bem e em voz audível; pode se dirigir as pessoas

colocadas nos últimos lugares e perguntar-lhes se estão ouvindo bem. A voz

deve descrever uma parábola, partindo do orador até as ultimas pessoas do

auditório. Jamais fale dirigindo-se somente as pessoas mais próximas, pois isso o impede de comunicar-se com as demais pessoas do auditório.

A voz será agradável, se o orador evitar a monotonia, procurando

modular a voz, variando a altura, volume intensidade, e a velocidade, com

acentuação adequada ao articular as frases. Sentindo as palavras que fala,

saberá dize-las expressivamente. Não se diz AMOR da mesma forma que se diz VALOR. A palavra expressiva traduz, perfeitamente, a idéia ou o sentimento que queremos exteriorizar, tornando-o claro e compreensível.

Não basta ser gramaticalmente correto, há que se ser agradável, evitar

cacófatos, (uma mão, a boca dela, na vez passada) e passar a energia do que

estamos sentindo, comunicando a cada palavra determinadas inflexões de voz

que a tornem muito mais vigorosas e elegantes.





Predicados da voz:



A voz é a mais autêntica expressão do nosso estado interno. A entonação

cria ritmo tornando a exposição dinâmica e atrativa.

A flexibilidade e a sonoridade nos permitem harmonizar o timbre, que é a

personalidade da voz; harmonizar a intensidade, ou grau de força da voz, o

volume que é a quantidade de voz empregada; a altura; que pode ser aguda ou

grave; e a velocidade ou ritmo com que se fala.

Há ainda uma qualidade que causa simpatia, e aloca empatia de quem

ouve ; é a docilidade da voz, expressa segurança pessoal, e demonstra profundo conhecimento do assunto.

O orador deve procurar envolver o auditório com sua vibração,

entusiasmo, fervor ou hilaridade.



RESPIRAÇÃO



Os pulmões são a base de sustentação da voz. Respirar de forma

inadequada prejudica a qualidade da comunicação. Quais são as características

da respiração correta quando se fala em público?

Respiração diafragmática ou abdominal: permite o pleno uso dos

pulmões, dando maior poder de sustentação à voz;

Não falar com os pulmões vazios ou quase vazios: a falta de oxigenação

adequada do cérebro causa tontura e a ausência de ar nos pulmões limita a

capacidade de lançamento da voz;

Quando respirar? Nos pequenos intervalos que acontecem entre a

expressão de uma idéia e o inicio da próxima. É importante respirar de maneira quase imperceptível.



Exercitando a impostação da voz



É muito comum ouvirmos alguém dizendo que tal pessoa “imposta a voz

para falar”.

Contudo, mesmo usando o verbo “impostar”, a idéia que embasa tal

afirmação é equivocada e não expressa realmente o que é impostação vocal.

Para muitos impostar a voz parece algo requintado, que não é dado as pessoas

comuns aprenderem, acham que a impostação envolve uma técnica exótica ou

muito difícil que exige rigoroso esforço.

Nada disso, a impostação vocal, significa saber adequar a voz ao

ambiente e a ocasião servindo-se apenas da função fisiológica dos órgãos que

produzem o som, obtendo da voz o melhor rendimento com o mínimo de

esforço.

Não somente os cantores, atores e radialistas, vendedores e advogados,

pregadores, professores e políticos precisam treinar a voz. Qualquer pessoa que precise se deparar com um público, pode e deve ter uma voz modulada, firme, convicta, clara, bonita e expressiva.



Para impostar a voz basta acrescentar aos afazeres diários vinte minutos

de dedicação, fazendo exercícios que podem melhorar a respiração, a

articulação, a ressonância e a interpretação.



Exercícios de respiração:



1.Inspire profundamente e expire como se estivesse fazendo um exame

médico de capacidade pulmonar. Repita 8 vezes.

2.Coloque as mãos espalmadas sobre o abdômen, inspire profundamente

sentindo a acentuada expansão abdominal. Então solte o ar lentamente,

percebendo a contração abdominal, observe o movimento do corpo.

Repita 8 vezes.

3. Coloque as mãos espalmadas sobre o abdômen, respire

profundamente, segure o ar nos pulmões contando até cinco

compassadamente. Depois solte devagar o ar dos pulmões emitindo um som de SSSSS. Repita 8 vezes.

5. Coloque as mãos espalmadas sobre o abdômen, respire profundamente,

segure o ar nos pulmões contando até cinco compassadamente. Depois

solte devagar o ar dos pulmões emitindo um som de TTTTT. Repita 5

vezes.

6. Coloque as mãos espalmadas sobre o abdômen, respire profundamente,

segure o ar nos pulmões contando até cinco compassadamente. Depois

solte devagar o ar dos pulmões emitindo um som de AAAAAA. Repita 5

vezes.

7. Contraia e descontraia aleatoriamente o abdômen, num movimento

coordenado pelas costas e sustentado pela estrutura da coluna.

Concentre a observação no ar que entra e sai por esse ato mecânico do

corpo. Procure expirar enquanto contrai o abdômen, e inspirar enquanto

o descontrai. Repita 8 vezes.

8. sopre um canudinho de refresco por aproximadamente 5 minutos,

contando mentalmente de 4 em quatro, intercalando sopro e

aprisionamento de ar nos pulmões.

9. pratique natação, visando expandir sua capacidade respiratória, na

quantidade recomendada pelo seu médico.

10.Chame alguém de sua confiança para observar e auxiliar você enquanto

faz estes exercícios de respiração, depois de achar que já sabe respirar

corretamente para falar.



Exercícios de ressonância



É a ressonância que da volume e qualidade ao som da voz.

1- com a boca bem aberta diante do espelho, emita o som do

AAAA prolongado. Repita 4 vezes.

2- Faça novamente o AAAAAA bem aberto, subindo e

descendo a cabeça e o peito durante a emissão do

som.Para distinguir sons graves, médios e agudos. Repita

8 vezes.

3- Faça um bico com os lábios e emita um som de

HUMMMMM, coloque as mãos uma sobre a outra na

cabeça, fronte, nariz, queixo e nariz. Para perceber os

canais de ressonância. Repita 8 vezes.

4- Grite bem baixinho, como se quisesse chamar alguém,

sem colocar volume na voz. Ajuda muito no controle da

modulação. Repita 8 vezes.



Exercício de articulação



1. Diga os textos seguintes, primeiro com uma caneta atravessada na

boca, (as primeiras 4 vezes) e depois as outras 4 vezes deverão ser

faladas sem a caneta:

a) o emblema sem problema está representado pelo dilema do

problema.

b) O peito do pé de Pedro é preto, quem diz que o peito do pé de

Pedro não é preto é por que tem o peito do pé mais preto do que

o peito do pé de Pedro.

c) O rato roeu a roda da carroça do rei de Roma, e a rainha Renata

ralhou o resto da rota rodada por causa da roda roída.

2. Diga para si mesmo este lembrete articulando corretamente: articular

é desenhar as palavras com os lábios. Repita 8 vezes

3. Fale sem som, pronunciando essas consoantes com rapidez:VVVVV

– CCCCCC- DDDDD-MMMMM-RRRRRR-PPPPP-SSSS-TTTTTRRRRRR-

ZZZZZZ-MMMMM – FFFFFF-NNNNN- LLLLLGGGGGG-

DDDDDD-HHHHHH- JJJJJJJ-QQQQQQ – Repita 5

vezes.

4. pronuncie cada vogal com precisão e clareza, em escala musical,

articulando-as exageradamente:a,e, é, i,o,ó,u –repetir oito vezes.

5. leia esse poema de Gilberto Gil em voz alta, pronunciando só as

vogais:

“- Ah, meu amigo, meu herói,



ah, como dói

saber que a ti também corrói

a dor da solidão.

__Ah, meu amado e minha luz,

descanse a tua mão cansada

sobre a minha mão.

-A força do universo não te deixará.

O lume das estrelas te alumiará

Na casa do meu coração, pequeno

No canto do meu coração, menino

No quarto do meu coração espero

Agasalhar-te a ilusão.”

Repetir 4 vezes

5-Agora divirta-se, declame o poema de Gil imaginando-se pai ou mãe

de um recém-nascido e sinta, pois vale a pena.

Repetir 6 vezes.

Flexibilização dos articuladores:

Exercícios que propiciam maior descontração, agilidade e precisão dos órgãos

articuladores do som.

1.lábios: abrir e fechar os lábios, soprar bexigas, assoprar velas que estão

distantes a pelo menos dois metros; colocar uma caneta nos dentes incisivos e

ler textos de jornais ou revistas em voz alta.

2. língua: dobrar a língua e encostá-la no palato mole; desdobrá-la tocando nos

dentes frontais seguidas vezes; com a boca fechada girar a língua tocando na

parte externa das gengivas; abrir a boca tirar a língua para fora e gira-la para a

direita e para a esquerda.

3. Mandíbula: abrir e fechar a boca doze vezes; movimentar a mandíbula da

direita para a esquerda e da esquerda para a direita oito vezes.





Articulação precisa + fonação :



Exercícios para tornar as palavras distintas:

O uso exato dos articuladores e dos ressoadores na produção especifica de cada

fonema, fale as palavras a seguir com a boca bem aberta,desenhando as

palavras e exagerando nos encontros vocálicos.

Vocábulos orais isoladas: a, e, i, o, u.



Vocábulos orais combinados:

aa- caatinga, caaba, caaete, caapiá – Açu;

ae- aeroporto, maestro, aéreo, aeromoça, caeté, aeróbica, Caetano;

ai – digitais, vogais, gaita, maioria, maieutica, laico, rainha, raio, potenciais;

ao- faraônico, baobá, caótico, caolho, maori, aonde, aos, aorta;

au- capiau, autonomia, causativa, autor, automática, fonoaudiologia;

ea- meados, mapeamentos, encadeamentos, área, realização;

ee- veemência, empreendedora, reengenharia, compreensão, apreender;

ei- invisíveis, verdadeiros, níveis, conceitos, perfeitos, enfeites, feitor;

eo- teorizar, vídeo, geografia, neologia, alvéolo, neófito;

eu- hermenêutica, terapêutica, neurologia, propedêutica, maiêutica;

ia- experiência, potencial, excelência, tendência, competência;

ie- consciente, presciente, onisciente, cliente, ciência, sociedade, suficiente;

ii- niilismo;

io- operacionalizar, profissional, dimensionar, princípios, bioenergia;

iu- viúva, iugoslavo, miudeza.

oa- coaxar, ressoadores,aperfeiçoar, oásis;

oe- coerção, moela, moeda, boemia, poema, coelho, coentro;

oi- oito, coisa, oitava, doido, moicano, Moisés, oiticica;

oo- coordenar, cooperação, zootecnia, zoologia, noológico;

ou- arcabouço, doutorado, ouriço, ourivesaria, outono, outrora, ouvido;

ua- virtuais, intelectual, espiritual, atuação, quantidade, individuação;

ue- estatueta, congruentes, freqüência, seqüência, anuência, fluente;

ui- intuitivo, juízo, fluir, fortuito, intuito, circuito, equilíbrio, genuína;

uo- suor, aquoso, quoeficiente, untuoso, suntuoso, afetuoso, virtuoso.

Vocábulos Nasais:

- ão- precisão, expansão, repercussão, apresentação,

evolução, satisfação;

- ãe- cães, Pães,mães,cidadãos, guardiães;

- ui- muito, fortuito, gratuito, circuito, intuito, construir,

possuir;

- õe- anões, carvões, chutões, grandalhões, padrões,

panelões, patrões.

Consonantais orais:



Labiais: B: subsídios, hábitos, saber, global, liberdade, habilidade, obter;

P: psicologia, poder, aprimorar, potencialidade, competência;

M: compreender, afirmar, motivação, atendimento, competitivo.

Dentais: D: dialogar, conteúdo, acuidade, moderno, proceder, vencedor;

N: técnicas, relacionamentos, espontaneamente, intenso, inovação;

T: metáforas, contextualização, contentamento, estrutura, pratica.

Lábio-dentais: F: formidável, cânfora, fuso, força, fonte, confiança, flexível;

V: vontade, vanguarda, vantagem, vivencia, convencer:

Alveolares: S: recursos, assistência, níveis, transmissor, essencial, metas;

C: influencia, ciência, sapiência, experiência, fluência, associar;

Ç: evolução, liderança, força, ação, espaço, convicção, diferença;

X: exemplo, conexão, exato, exercitar, exuberância, exaurir;

Z: organizar, perspicaz, eficazes, felizes, satisfazer, clareza;

L: falar; limpeza, lâmpada, inteligente, fórmula, desenvolver;

R: pensar, coragem, carbono, fazer, realizar, naturalidade, agir;

RR: corrigir, correto, cachorro, carruagem, carroça, arrasar.

Palatais :

LH: assoalho, coelho, orgulho, maravilha, ilha, ralho, valho;

NH: engenharia, fanho, medonho, sonho, castanho, vinho, punho;

X (ch): xale, xodó, xerografia, xícara, xaxim, xampu, xixi;

J/G: viajar, juízo, jantar; gentileza, mensagem, metodologia;

CH: choque, chimarrão, cheque, chance, chave, echarpe, chapéu.

Oclusivas:

Q/C: aquilatar, quilo, qüinqüênio, pesquisa, cognitivo, oculto;

G: gorjeio, guarda, globais, lingüística, significado, aguçar.

Consonantais nasais:

AN: encantar, quando, andando, motivando, manter,

liderança, expandir;

EN: entretanto, absorvendo, concorrendo, entardecer,

vencedor, apreender;

IN: intuir; constituinte, concluindo, instituição,

interior, caminho, interromper;

ON: conduzir, conceber, encontrar, conseguir, onda,

bondade, ontem, conter;

UM: junção, perguntar, funcionar, ungir,

fecundidade, profundo, junco, Jundiaí.



PRONÚNCIA CORRETA: A ARTE DE DIZER AS PALAVRAS

CORRETAMENTE



Observação da ortofonia e desvencilhamento do hábito de dizer palavras

ou expressões economizando letras.

Pronúncia parcial das palavras: trocar “ já estou indo” por “já tô indo”;

“também” por “tamém”; “vamos” por “vamu”; “você já passeou?” por “cê já

passeou”;

Troca de letras: V pelo B ; vasculhar por “basculhar”; V pelo G: vomitar

por “gomitar”;

Acrescentar vogais onde não existem: substancia (subistancia);

psicologia (psicologia); optar(opitar) advogado(adevogado) psicólogo

(pissicólogo).

Inflexão e entonação fluentes: o cuidado de tornar as idéias e

palavras expressivas.

O orador iniciante precisa aprender a tornar as idéias atraentes, leves e

inteligíveis:

Através da acentuação correta das sílabas tônicas ele pode, com um pouco de

emoção na voz dar o real significado à palavra tornando-a inteligível na frase;

isto se chama inflexão.

Através da entonação, o orador expressa com mais ênfase as palavras e idéias

que resumem a idéia principal.

Musicalidade: é a habilidade de dar leveza, colorido, com emoção e harmonia a frase: Exemplo: “ onde quer que você vá, eu vou com você, porque ainda não inventaram um jeito de descobrir quando alguém viaja escondido no coração de outra pessoa.” Osho- Pepitas de Ouro- Editora Gente.

Exercitando a inflexão, a entonação e a musicalidade:

Seu Pai advoga em São Paulo, em um escritório particular?

Não, um amigo meu advoga.

. Seu Pai advoga em São Paulo, em um escritório particular?

Não, ele tem uma consultoria de negócios.

. Seu Pai advoga em São Paulo, em um escritório particular?



Não, ele advoga em Curitiba.

. Seu Pai advoga em São Paulo, em um escritório particular?

Não, ele advoga em uma empresa privada.



A colocação adequada das palavras nas frases; o cuidado de

torná-las agradáveis.



Evitar os cacófatos e os vícios de linguagem.

Cacófatos: a construção descuidada da frase permite encontros vocálicos

que possibilitam a formação de palavras e fonemas impróprios para o

momento, distraindo a atenção dos ouvidos mais apurados, e reduzindo o

valor e o brilho do que se diz, podendo até mesmo ser desagradável ou

obsceno. Exemplos:

Prefiro não pensar nunca nisso. (caniço);

Meus olhos por ti são de fogo. (tição);

Meu amor por ti gela. (tigela);

Minha vida é amar ela.( amarela);

O problema é a prática dela. (cadela).

VICIOS DE LINGUAGEM: refiro-me a expressões verbais que dilapidam a

estética do discurso do orador.

Cacoetes verbais- Consiste na repetição exagerada de um fonema ou sílaba

que denota insegurança, ou que funciona como uma muleta psicológica que

assegura a continuação do fluxo da fala somente após sua repetição:

Exemplo: Ahhhh, Ehhhh, Ihhhh, ôhhhh, né?, Tá?, e o ultajante:

“entende?” ou ainda: daí, bem, bom, assim, ããã, tipooo, e daí né, etc.

Por que acontecem?

Por mero habito adquirido no entorno social em que vive o individuo;

Necessidade de ver o auditório confirmar, concordar ou retrucar a idéia

exposta; busca continua de apoio e afirmação no auditório, conquista de

tempo para pensar no que vai dizer depois.

Exercício:

Leia compassadamente e em voz alta essa desiderata, colocando o máximo

de assento musical em sua voz, otimize a personalidade de sua voz,

percebendo e superando as dificuldades na interpretação oral do texto lido:

faça esse exercício durante uma semana, de preferência antes de dormir à

noite:



Desiderata



No meio do barulho e da agitação, caminho tranqüilo, pensando na

paz que você pode encontrar no silencio. Procure viver em harmonia com

as pessoas que estão ao seu redor, sem abrir mão da própria dignidade. Fale

sua verdade, clara e mansamente; escute a verdade dos outros, pois eles

também tem a sua própria historia.

Evite pessoas agitadas e agressivas; elas afligem o nosso espírito. Não

se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a

você; isso o tornaria superficial e amargo. Viva intensamente os seus ideais

e o que você conseguiu realizar. Conserve o interesse pelo seu trabalho, por

mais humilde que ele seja; ele é um verdadeiro tesouro, na continua

mudança dos tempos. Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo

esta cheio de armadilhas, mesmo assim não fique cego para o bem que

sempre existe. Há muita gente lutando por nobres causas; em toda a parte a

vida esta cheia de heroísmo. Seja você mesmo, sobretudo não simule

afeição e não transforme o amor numa brincadeira. Pois no meio de tanta

aridez ele é perene como a relva.Aceite com carinho, o conselho dos mais

velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.

Cultive a força do espírito: você estará se preparando para enfrentar as

surpresas da sorte. Não se desespere com perigos imaginários; muitos

temores tem sua origem no cansaço e na solidão. Ao lado de uma sadia

disciplina conserve, para consigo mesmo uma imensa bondade.

Você é filho do Universo, irmão das estrelas e das arvores. Você

merece estar aqui. E, mesmo que você não possa perceber, a terra e o

universo vão cumprindo o seu destino. Procure, pois, estar em paz com

Deus, seja qual for o nome que você lhe der. No meio dos seus trabalhos e

aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve- no mais profundo do

ser- a harmonia e a paz. Acima de toda a mesquinhez, falsidade e

desengano, o mundo ainda é bonito!

Caminhe com cuidado e partilhe com os outros sua felicidade.

Faça de tudo para ser feliz!”.

(Desiderata, Cid Moreira, Edições Paulinas)



2.4 O MEDO



Existem dois oradores distintos morando dentro de uma pessoa e podem

prejudicar sua auto-avaliação: há uma dicotomia entre o orador imaginadoque

passou por uma experiência pouco positiva e o orador real – que expressa

autenticamente sua personalidade.

A suscetibilidade é o principal sintoma do orador que se encontra tímido.

A autoconfiança, ainda em construção o torna vulnerável mediante qualquer

manifestação referente à sua atitude, à maneira como analisa o tema ou ao seu

enfoque sobre o assunto. Manifesta-se no receio de mostrar-se, de ser

observado e de ser o centro das atenções. Isso não é genético ou inato, mas o

produto de uma formação inadequada. O maior entrave é não acreditar poder

superar todo esse medo.

A postura com maior poder de transformação é entender que o erro é

inerente ao processo da aquisição de uma nova habilidade, que no caso é

expressar-se em publico com desenvoltura. Portanto, é altamente

recomendado, olhar para dentro de si mesmo, identificar as arestas, e permitir a expressão do que sente, pensa e sabe, soltar-se sem o peso da auto-censura,

ou auto critica, e exercitar-se incansavelmente.

A visão distorcida da realidade interna e externa, bloqueia a expressão

integral do individuo. Um pouco de medo, sempre foi normal em todos os bons oradores, ao sentirem o peso da responsabilidade de transmitir uma mensagem a um publico inteligente, porém ele logo é superado pela própria importância da mensagem a ser proferida, o conhecimento da sua real potencialidade interna e o domínio sobre o contexto permitem a plena manifestação de sua  personalidade.

Quando exposto o portador do medo inibe-se, sente-se travado, perde a

naturalidade. E isso, tem sérias conseqüências, pois inibe a conquista do espaço social e, principalmente profissional. À medida que vai experimentando e expressar-se em publico, vão desaparecendo um a um todos os fantasmas que de inicio o amedrontavam. Internamente vão se formando referencias positivas, referencias das experiências bem sucedidas que vão permitindo que gradativamente ele vá andando sobre as próprias pernas mesmo diante de um publico perscrutador.

Superar o medo potencializa o ser humano em todas as suas dimensões. A

habilidade de falar em publico, com desenvoltura, traz em si efeitos correlatos

que predispõem ao sucesso pessoal e profissional.

Principais características da presença do medo:

Enquanto sentirmos uma ou mais dessas sensações abaixo, estaremos sob

o comando tirânico do inconsciente:



1. sentir-se deslocado, sem graça, não à vontade;

2. transpirar demasiadamente: principalmente as mãos e axilas;

3. mudança da cor do rosto: ficar pálido, branco ou vermelho;

4. garganta seca ou excesso de saliva; devido ao descontrole no processo de

ensalivação;

5. não saber como e onde posicionar as próprias mãos;

6. ausência de movimentos quando existe espaço para movimentar-se à

vontade;

7. sorrir demasiadamente ou ficar de semblante muito fechado;

8. perder a seqüência das idéias; ocorrência do “branco”;

9. auto-avaliação imprecisa; devido a decodificação inexata das

manifestações do auditório;

10.manifestar impaciência, pressa na abordagem do assunto;

11.subestimar-se: insistir na sensação de não estar agradando o auditório;

12.ter receio dos olhares dos ouvintes;

13.voz embargada, rouquidão, pronuncia inadequada das palavras;

14.diante de alguma manifestação contraria a sua opinião, sente-se inferior;

pois perde a sua base de sustentação: o próprio-auditório;

15.monólogo interno negativo: “não levo jeito para falar em público”, “não é

o meu ponto forte”, “vou deixar para uma próxima oportunidade”, “e se

eu cometer uma gafe?”, “pode ocorrer um branco geral”.



Auto-percepção do medo:



Procure observar quais circunstancias públicas ou privadas que atuam

acionando o medo ao expressar-se;

Enquanto está se expressando em público, observe como percebe o tom

de voz, os movimentos os gestos, o olhar e a fluência natural das idéias;

Verifique como interpreta ou decodifica as mais variadas manifestações

do auditório, tais como, expressões fisionômicas, questionamentos, saídas

de recinto;

Que sensações você passa a ter a partir do momento em que aceita o

convite para realizar apresentações, discursos, palestras ou workshops?

Observe se ocorrem sensações acentuadas de disparo geral, mormente

em relação as idéias que parecem sempre serem insuficientes ou não

pertinentes.



Principais causas do medo:



A timidez manifestada em nossa maneira de expressar tem causas

remotas e causas imediatas. Examinemos cada uma delas:

Causas remotas:

1. Influência familiar: adquiridas pelas informações e posturas

assimiladas no primeiro ambiente de socialização- “não fale se

você não tiver certeza”, “como você é desastrado”, “seu irmão é

muito mais desenvolto do que você”, “você é estúpido”, etc.

2. Ambiente escolar: estratégias educativas castrantes e inibidoras

da livre expressão do ser e do pensar- detonadoras de posturas

passivas, apáticas nos alunos- “quantas vezes preciso explicar ate

voce conseguir entender?”, “vamos, fale logo, e com as suas

próprias palavras”.

3. Busca de auto-afirmação na adolescência: convivência em

grupos onde os pseudo-líderes, coibiam a auto-espressão dos

demais membros- “voce é um panaca, o maior babaca”, “se

quiser ficar no grupo vai ter que ser assim”.

Causas imediatas:



1. Internas:

-Tentativas de realização de certas atividades em público: seminários,

reuniões, nas quais percebeu claramente não ter atingido o objetivo;

sensação de inadequação intelectual: carência de conhecimento especifico,

gerando despreparo em relação à profundidade e a seqüência adequada das

idéias a serem expostas;

não se permitir errar: o trauma e a dor associados a fratura na auto-imagem

trava o corpo e bloqueia o cérebro;

falsa crença de não ser extrovertido o suficiente.

Externas:

Contexto repressivo: no âmbito político, social, cultural, religioso, familiar

ou profissional;

Perceber-se inadequadamente trajado; ou carente de material audiovisual

apropriado;



SOLUÇÕES



Os pré-requisitos que auxiliam na eliminação do medo oratório:

1. Auto-conhecimento;

2. Uso estratégico de recursos para o desenvolvimento do autoconhecimento;

3. Conscientização dos próprios limites, identificação dos pontos fortes a

serem explorados na personalidade e reprogramação mental.

Atuarei em três frentes para eliminar a presença do medo oratório e suas

conseqüências físicas e mentais: o plano mental, o plano da fala, e o plano do

conhecimento específico.



1. PLANO MENTALO

medo de falar em público esta alojado nas profundezas do

inconsciente. Todas as manifestações acima elencadas aparecem

automaticamente e impõem-se tiranicamente, apesar de toda a força de

ponderação do consciente. Fomos criando essa auto-imagem inadequada

através da nossa imaginação respaldada por experiências pessoais que

supervalorizamos, e que agora levantam-se quais fantasmas a nos

assombrar, diminuindo nossa percepção, consciência e direito de

exercer nossas reais potencialidades.

Que estratégias viabilizam a mudança da auto-percepção nos

níveis consciente e inconsciente?



A REPROGRAMAÇÃO MENTAL E A TÉCNICA DE

VISUALIZAÇÃO AUTO-INDUZIDA.

Conquistando eloqüência:

Deite-se em decúbito dorsal, (abdômen para cima), solte-se e

relaxe.Respire calma e profundamente por alguns momentos. Desliguese

de tudo. Sua freqüência mental baixará de 13 a 25 ciclos por segundo

a um nível de 8 a 12 ciclos, (é chamado de estado de vigília relaxada,

considerado o Ideal para a aprendizagem, favorece a atenção e a

concentração) uma música erudita ao fundo, ajuda a estimular o estado

alfa (um CD do Kitaro, Yanni, Aurio Corrá...) embora a música triplique

a facilidade da indução a este estado de consciência, baste que a pessoa

se acalme e respire tranqüilamente que a freqüência mental abaixa..., em

nível Alfa, traga à tona um fato da infância, adolescência ou profissional

que tenha sugestionado negativamente sua auto-expressão em público.

Veja todos os detalhes nitidamente. Ouça os sons com perfeição e reviva

as sensações intensamente.um momento em que você passou por um

embaraço, como voz embargada, mãos suadas e pernas trêmulas, com

um branco mental ou deparou-se com críticas depreciativas e

experiências que marcaram sua auto–exposição em público.Imagine-se

de volta aquele cenário, veja o rosto da pessoas, agora, observe-se

claramente no domínio da situação, observe-se claramente, veja como

está vestido, penteado. Ouça a própria voz e todos os sons do ambiente,

sinta nitidamente todas as sensações de estar falando para este grupo de

pessoas, de forma congruente, carismática e eloqüente, você vê seus

olhos se arregalarem, a boca deles se abrirem em espanto, você os está

conquistando para você. Veja-se crescendo e eles diminuindo,

encolhendo. Basta agora diminuir os aspectos visuais, auditivos e

cinestésicos da imagem 1 até torna-la inexistente, e portanto, inoperante.

E em relação a imagem 2, proceder de maneira inversa. Ressaltar todos

os aspectos visuais, cinestésicos e auditivos.

O efeito do exercício acentuará, se sobrepuser a imagem 2 sobre a

imagem 1 repetidas vezes e com alta velocidade.

Treine essa visualização durante pelo menos três semanas.

Referências internas fortalecedoras:

Procure trazer à tona uma série de acontecimentos em que efetivamente

participou e que segundo sua avaliação e de outras pessoas que

presenciaram, foi significativamente bem sucedida:

1. quando ainda pequeno e em âmbito familiar, algum fato ou elogio

recebido e que ainda lembra;

2. em alguma competição esportiva em que se destacou ou foi

premiado;

3. qualquer trabalho escolar que tenha realizado e no qual recebeu

nota máxima ou foi mencionado perante o grupo;

4. as primeiras aproximações bem sucedidas para fazer amizade;

5. as primeiras tentativas em que teve êxito ao aproximar-se para

conquistar, namorar ou casar;

6. realizações profissionais de destaque, promoções, convites ao

ocupar cargos de destaque;

7. qualquer menção de destaque sobre alguma virtude percebida e

mencionada por pessoas do convívio social ou profissional;

8. faça um inventario das habilidades que adquiriu através dos anos,

em qualquer área.

Nessas três semanas, volte inúmera vezes a todos esses fatos que são

extremamente expressivos para si próprio, referentes a sua valiosíssima

história pessoal e por longos momentos , reviva-os na íntegra. E para

potencializar estas referencias fortes, traga-as à tona na imaginação,



reforce suas características visuais, isso vai expandir e acentuar seu

poder de ação sobre suas convicções e crenças sobre si mesmo.



Ancoragem



O simples fato de pertencermos a um contexto nos deixa

susceptíveis a âncoras. O que é a ancoragem? Ancoragem é uma

associação consciente ou inconsciente de estímulos específicos internos

ou externos. O orador que possui um forte estado interno é capaz de

colocar o auditório em uma vibração muito semelhante a sua e favorecer

o estabelecimento de um clima de concentração, entendimento e

assimilação.

Estratégias para o cultivo desse estado interno rico de recursos ao

expressar-se em público usando a ancoragem:

1. por associação de imagens: reviver uma experiência extremamente

positiva e que esteve em estado intenso, centrar a atenção e revive-la

intensamente. Quando estiver no auge das sensações, mudar o foco

da atenção transferindo este estado para a experiência de expressarse

em público e visualisar-se comunicando-se com desenvoltura.

2. por associação de sons: trazer à tona uma experiência rica em que

alguém se dirigiu a você e disse como estava bem vestido, ou que

realizou um ótimo trabalho profissional. Concentrar-se intensamente

nos sons daquele momento e transferir este estado interno para o

expressar-se em público, escutar a própria voz falando com

desenvoltura para o público.

3. por associação de sensações: reportar-se a um fato que o colocou em

um estado emocionalmente rico de recursos, Concentrar-se nas

sensações físicas e emocionais. No momento mais intenso, transferir

este estado interno de enlevo às sensações ao apresentar-se em

público, amplia-las intensamente e mantê-las.

Quanto mais rapidamente fizer a transposição das experiências, mais

rápida e segura a ancoragem. Pode ser feito dias antes da exposição e,

principalmente minutos antes, enquanto aguarda ser chamado para falar.

Esta estratégia garante um começo forte que permite expressar todo o

potencial intelectual e mobiliza toda a sensibilidade humana do orador.



O ser humano integrado e totalmente seguro de seu potencial,

comunica-se por inteiro, permite descontração, entendimento e

assimilação profunda das suas idéias por qualquer auditório.



2. PLANO DA FALA:

Uma das soluções mais seguras a respeito do medo é a eliminação das

fantasias através da realização daquilo que causa o medo. Portanto:

*Sempre que convidado a falar em público, aceite prontamente;

*Crie um estado interno positivo; mantenha com você a predisposição

interna para falar;

*Provoque oportunidades para expor o que pensa diante de um grupo de

pessoas;

*Preste atenção em quando e como começa a sentir o medo, e aos

poucos, aprenda a mudar o foco, pois assim estará mudando o estado

interno;

*Enquanto fala, concentre-se no que diz e faça uso da linguagem não

verbal o mais natural possível.

Contra fatos não há argumentos: Uma vez que provamos a nos mesmos

de que somos capazes de resistir a olhares menos otimistas ou nada

aprovadores a nosso respeito, criamos referencias internas que acionarão

nosso grande potencial de auto-expressão e começamos a sentir gosto

pelo falar em público.



CONHECIMENTO ESPECÍFICO:

A certeza sobre a natureza do assunto e seus principais argumentos

proporciona uma inigualável sensação de segurança. Mas, lembre-se: o

grande orador é sobretudo um grande leitor. Portanto, a segurança

interna tem um preço:

*A disposição em conhecer muito bem o assunto sobre o qual vai

discorrer;

*Organizar um quadro de idéias, no qual consiga localizar rápida e

perfeitamente cada item a ser apresentado;

*Ter certeza de que as idéias estão atualizadas;

E estar consciente de três coisas:

*A expectativa, o enfoque e o grau de profundidade de análise aguardado

pelos ouvintes.



Procedimento ao confrontar-se com Perguntas:



Que atitude tomar se o auditório fizer perguntas durante a

explanação?

Com certeza, o mais provável é que você vai responde-las, porém esteja

atento para o seguinte:

Esteja certo de que ouviu bem;

Identifique se existem varias perguntas em uma só, e se ouver ajude a

pessoa a perguntar corretamente;

Esclareça os termos e divida a pergunta em varias partes, caso seja uma

pergunta múltipla;

Tenha certeza de que todos no auditório ouviram a pergunta, caso

contrario, repita-a em voz alta;

Escolha o melhor ângulo para responder, levando em consideração

quatro fatores: o contexto, seu conhecimento, o interesse do inquiridor e

o interesse do auditório;

Se for questionado sobre fatos, responda direta e resumidamente;

Quando questionado sobre opinião controvertida, responda

conceitualmente e sustente sua resposta com fatos;

Evite uma resposta que desfoque a exposição, e sobretudo evite que o

perguntador monopolize o tempo e o espaço.







ATITUDES MENTAIS DESINIBIDORAS:

Tenha consciência de que a segurança é uma conquista e como tal adquire

aos poucos. Por isso busque diariamente:

Quando em conversa com as pessoas, procure ter presença

expressiva, exercitar a autoconfiança e a auto-valorização;

Sempre que convidado, e mesmo quando não convidado, procure

espaço para dizer o que pensa;

Não tenha receio de ser autentico, não se preocupe com o que os

outros vão falar; toda personalidade genuína é forjada de dentro para fora;

Em todas as ocasiões mantenha uma postura pró-ativa; quando entrar

em nível alfa mentalize-se expressando-se com total desenvoltura;

Lembre-se de que você não é o único a ter medo de expressar-se em

público;

Saiba que o auditório percebe muito pouco o nervosismo do orador;

Reconheça que os ouvintes buscam informações específicas sobre um

assunto determinado, e, que normalmente o auditório não está ávido para

identificar imperfeições no orador;

Minutos antes de apresentar-se desvie a atenção do assunto, bem

como das palavras que irá expressar, focando a atenção em uma pessoa ou

objeto – facilita dispersar o excesso de concentração;

Antes das primeiras palavras, faça uma respiração profunda; no início

da fala, o volume da voz e a força dos gestos devem ser moderados.

O medroso não é um fracassado. Apenas constata que em determinadas

situações, sente-se impedido de dar vazão a todo o seu potencial. O que

diferencia o medroso de um covarde é a estratégia utilizada para eliminar o

medo. O covarde foge das conseqüências do medo, ele foge do que o medo

promete lhe trazer, enquanto que o medroso consciente, busca identificar as

causas do seu medo para elimina-la: seja a falta de conhecimento, ou a falta

de prática, e identificando as causas, ele se liberta para sempre de suas

constrangedoras e indesejáveis conseqüências.



3. DISCURSOS



Expressar-se habilmente em público tem ligação profunda com ciência e

arte. É ciência quando possui estratégias especificas que apóiam e otimizam

o potencial humano. É arte enquanto possibilita a mais pura e autentica

expressão do saber e do sentir humano.

Além da segurança pessoal o orador precisa ter certeza que está à altura

das exigências do público em termos de conhecimento relativo ao assunto

tratado. O orador precisa administrar com maestria todas as variáveis de

uma exposição bem sucedida. Discursar não é a arte de falar muito, mas a

arte de expressar muito, falando pouco.

A expressão bem estruturada refere-se às oportunidades de análise

sistemática de um conjunto de idéias. Tal colocação pode ter lugar em um

discurso, palestra ou seminário. A estratégia básica em todas as formas de

exposição oral é muito semelhante. O que varia basicamente é o

instrumento utilizado para facilitar a exposição.

Para melhor esclarecer este assunto, analisarei os seguintes itens:

Pré-requisitos, princípios da exposição de improviso, e princípios

referentes à exposição preparada.



3.1 PRÉ-REQUISITOS



Elencarei aqui um conjunto de atitudes que enriquecem sobremaneira a

comunicação, quando observadas com outros elementos de oratória:

O abc da informação: quando?, onde?, por quê?

Uma exposição de idéias esta sempre relacionada com o fator tempo,

com um espaço físico determinado e com suas razões específicas.

1.Em que lugar ocorrerá e evento e quais os recursos didáticos que estarão

disponíveis?

2.certificar-se do horário exato em que terá lugar a conferencia sob minha

responsabilidade;

3. Verificar se o tema abordado tem alguma ligação com eventuais datas

históricas ou comemorações significativas da instituição;

4. Haverá apenas a minha exposição ou serei apenas um de uma série de

palestrantes, e quais são os temas dos outros palestrantes?

5. O que os organizadores do evento, bem como os participantes,

pretendem conhecer sobre o tema?

6. Quais as razões do convite? Acredito que estou à altura das expectativas?

Clareza sobre a natureza do assunto

Decorre da consciência de que o auditório é o centro de qualquer

expressão verbal, e por isso o orador deve ter em mente o contexto e as

necessidades dos ouvintes. Para tanto ele precisa perguntar-se:

1. Qual o tema específico a ser abordado?

2. Em quais aspectos devo tecer considerações mais detalhadas e

profundas?

3. Qual o tipo de enfoque que o momento vai pedir? Político, econômico,

social, filosófico, jurídico, psicológico, educacional, religioso, cômico,

sério, cultural, holístico, jornalístico?



TEMPO DISPONÍVEL PARA FALAR



O conhecimento do tempo disponível possibilita uma adequada

preparação estratégica tanto quanto à abrangência do assunto quanto ao grau

de profundidade com que o orador vai abordar o tema do discurso.

Da abrangência: a opção por uma visão geral do assunto pode causar

desinteresse, caso o orador não consiga fazer o auditório achar o fio condutor

que liga as grandes idéias sobre o tema. Na hipótese do auditório estar a procura de informações profundas sobre o tema, certamente sairá frustrado.

Da profundidade: A abordagem de um assunto que tenha o cuidado de

tecer comentários sobre todas as implicações pertinentes ao tema, requer um

grau de conhecimento específico profundo, que, ao mesmo tempo, não

sacrifique a visão de conjunto sobre o tema.



Estratégias do expositor ao abordar o tema



Este aspecto estará sempre relacionado a natureza do assunto e ao

tipo de auditório. Normalmente espera-se do expositor uma interconexão

entre as duas principais abordagens:

1. Priorizando o racional:

O orador apresenta o assunto da maneira mais técnica possível, utiliza o

raciocínio lógico e procura ser o mais claro possível, falando estritamente

o necessário.tem como vantagem a precisão, a clareza, e a razão direta ao

seu lado, e como desvantagem: facilita a divagação do auditório, exige

elevado grau de motivação do auditório, caso contrário assimila pouco

devido a dispersão; feedback inexpressivo, e dá a impressão de que o

orador não acredita no que diz, pois, somente a reta razão, sem um pingo

de emoção tem um baixo poder de persuasão e comoção.

2. Priorizando o emocional:

O orador que tem como ponto máximo de preocupação o auditório,

teatraliza o discurso. Explora habilmente sua personalidade fazendo

gestos eloqüentes, movimentando-se, trabalhando bem a expressão

fisionômica, citando exemplos vivos e bem adaptados ao auditório.

Sugere expressivos quadros que vão moldando a imaginação dos

ouvintes.

Tem como vantagens; um ótimo envolvimento com o auditório, facilita o

entendimento do assunto, pois os ouvintes acompanham atentamente

cada idéia, registrando-as com vivacidade; Há uma boa assimilação e

uma boa retenção; que é resultado da boa vivencia das informações

recebidas. Por outro lado, as desvantagens são; que alguns participantes

podem se empolgar com a dramatização e deixarem passar despercebidas

idéias básicas e detalhes importantes, ou o orador pode exceder-se no

tempo.



Qualidade



São competências essenciais adquiridas pelo uso adequado das

regras básicas da retórica, e que emprestam maior precisão, clareza,

dinamicidade e energia às preleções:

VOCABULÁRIO: As palavras são a forma de como representamos, de

como traduzimos o que ocorre fora e dentro de nós mesmos. Quanto

mais amplo, mais flexibilidade adquirimos e mais acertadamente

moldamos as nossas convicções e as do auditório, e enquanto tal, maior

é o impacto sobre as nossas ações e as dos ouvintes. É o instrumento

perfeito para expressar-se com exatidão, eloqüência e dinamismo. Ouso

correto do vocabulário é um dos fatores determinantes do discurso

expressivo. Porém, tenha sempre o cuidado de adequar seu vocabulário

ao universo intelectual do auditório; usar poucas expressões em línguas

estrangeiras; e evitar a todo custo o uso de gírias e palavrões.

A linguagem técnica é permitida apenas em exposições de cunho

especializado ou científico. Para as demais apresentações dê preferência

à linguagem levemente formal. E evite sempre que possível a linguagem

coloquial.

Uma pessoa que cursou o nível superior usa em média de 5.000 a 12.000

palavras. Uma comunicação fluente e expressiva exige 3 vezes mais,

pelo menos 25.000 a 35.000 palavras. Qual a estratégia segura e que

consuma o menor tempo possível para ampliar o vocabulário?



Adotar o habito de ler pelo menos três dicionários: o dicionário léxicosemântico,

que revela o significado textual das palavras, e o sentido

contextual, conotativo que as palavras assumem em um determinado

contexto; um dicionário etimológico- que indica a origem das palavras e

sua composição; sua derivação sufixal e prefixal, seus radicais gregos e

latinos; um dicionário de sinônimos, que oferecem uma vasta riqueza de

sinônimos aproximados ou perfeitos, e ainda um dicionário analógico

que apresentam idéias e expressões para idéias afins.

A ampliação precisa ser gradativa. Todos nos temos três vocabulários:

O vocabulário social: com o conjunto de palavras usadas comumente em

conversações, jornais e revistas não especializadas;

O vocabulário específico: com palavras e expressões referentes a uma

específica do saber humano, tais como: medicina, engenharia,

oceanografia, informática, etc.

O vocabulário correlato: que é o conjunto de palavras e expressões sobre

as áreas que apóiam o conhecimento especifico, tais como: Filosofia

apoiando a Sociologia, a Matemática apoiando a Engenharia etc.



Como transformar o vocabulário passivo em ativo?



Todo orador deve ter um rico vocabulário. Um bom exercício diário de

enriquecimento consiste em formar um dicionário pessoal; pode começar

com um pequeno caderno ou agenda, onde você vai anotar as palavras

desconhecidas, de A a Z, colhidas no próprio dicionário especifico de sua

área, e que serão consultadas depois para uma troca por sinônimos. Aqui

no Brasil, temos o Aurélio, o Caldas Aulete, e o Hoaiss, e temos

inúmeros dicionários específicos: de Psicologia, de Política, Jurídico, de

Ciências Sociais etc, é importante que o orador escolha o que quer

aprender e depois construa pelo menos umas três a cinco frases com

cada palavra nova aprendida, de modo refletido, bem pensado, e pouco a

pouco seu vocabulário estará mais exuberante e adequado próprio para os

embates de uma assembléia.

Na expressão oral o consciente ocupa-se da seqüência lógica das

idéias, enquanto que o inconsciente faz fluir as palavras que dão corpo

aos pensamentos do orador.

O melhor ponto de partida para uma palestra bem-sucedida é se

sentir seguro e relaxado quanto às palavras que você estará falando.

Assim, ao escrever o discurso, construa as frases de forma simples.



Pense na Platéia como uma única pessoa – isso contribuirá para criar um

“clima de intimidade”. Oradores de sucesso fazem a platéia pensar que a

mensagem é dirigida exclusivamente a eles, o que ajuda a prender a

atenção. Para ter certeza de que você soa natural, grave uma fita cassete

lendo o rascunho do discurso, então escute-o e emende o discurso onde

for necessário.

Dicas:

Use orações simples e diretas; use os pronomes “você” e “eu”; espalhe

porções generosas de adjetivos pelo texto; prepare e ensaie as frases para

evitar tropeços; inclua exemplos e analogias que ilustrem as idéias

principais; não use jargões ou linguagem imprópria; não recite lugares

comuns e frases feitas que todo mundo usa; não polua o discurso com

dados irrelevantes; não sufoque a platéia com muitos detalhes; terminado

o primeiro rascunho, é hora de começar a aparar os excessos. Leia-o do

começo ao fim para assegurar-se de que os fatos estão corretamente

priorizados e toda informação essencial esteja incluída. Preencha o

material com exemplos relevantes para reforçar os conceitos centrais. E

por fim use exemplos de interesse particular, que não são essenciais mas

aumentam o prazer na platéia em ouvi-lo devido ao bom humor e a

especificidade.Tenha em mente que um material escrito é diferente de

um falado, soa diferente. Aprenda a escrever sua palestra em estilo oral,

que siga padrões naturais da fala, como verbos na voz ativa, uso da

primeira e segunda pessoa, citando primeiro os fatos mais interessantes

ou mais importantes, o que é preciso saber; depois o que se deveria

saber, e só por último o que seria bom saber.

Varie o volume, a intensidade e a velocidade da voz; essa

modulação mostra que você expressa idéias e não justapõe palavras.

Estratégias para tornar inteligíveis e inesquecíveis as

idéias;imprimindo força a exposição:

Para fazer pensar: use definições; para esclarecer: use explicações; para

interessar: use pormenores; para fazer ver: use comparações, analogias,

contrastes; para convencer: cite fatos e dê exemplos, traga testemunhos

e depoimentos.



3.2 ESTRATÉGIAS DE DISCURSO



Há ocasiões em que tomar a palavra, tornar público o que pensamos,

estar no centro das atenções por um certo tempo, pode ocorrer de uma

hora para a outra- situação denominada falar de improviso; ou, sob o

aspecto formal, somos indicados para falar sobre determinado assunto

em uma data marcada- trata-se de palestras, seminários ou discursos que

obviamente, serão preparados.



3.2.1 PRELEÇÃO DE IMPROVISO



consiste em ser convidado para falar inesperadamente sobre um assunto

do qual temos informações acumuladas. Improvisar não se refere ao falar

sobre um tema para nós desconhecido. Pelo que sabemos só tem um ser

que criou o universo do nada: Deus. O homem precisa de material préelaborado

para construir seu universo elocucional. Falar de improviso

consiste em expressar nossa opinião sobre um tema sobre o qual ainda

não temos uma seqüência clara das idéias, por não termos tido tempo

para prepará-las.

Caso fôssemos convidados a falar sobre nossos medos, sonhos,

trânsito, nossa profissão, pena de morte, consumo de drogas- com

certeza teríamos nosso lugar garantido diante do público e proferiríamos

um pequeno discurso sobre o assunto escolhido.

Quando convidado a falar de improviso é uma gafe fazer

considerações preliminares que chamem atenção para nosso despreparo:

“estou despreparado”, “se tivessem me avisado antes”, “fica difícil dizer

algo assim de repente”...pelo contrário, o convidado deve levantar-se e

começar a falar como se fosse a pessoa ideal para o momento e o

assunto.Isto demonstra visão abrangente, maturidade e auto-confiança,

inspirando admiração ao público.

O sucesso da abordagem de improviso depende muito da presença de

espírito do expositor; da inspiração e do envolvimento com o assunto; da

destreza em organizar as idéias que possui- e uma dica útil é manter um

estoque de analogias, colecionar histórias interessantes, manter um

arquivo pessoal de recortes, tanto de jornais ou de revistas, com assuntos

de interesse pessoal, e os assuntos mais veiculados na mídia, e a cada

três anos fazer uma reciclagem: muitas pessoas assinam revistas e

jornais e devido a falta de tempo, ou de organização pessoal, vão

acumulando muita informação inútil junto com verdadeiras

preciosidades; separe um tempo para criar um painel de interesses,

separando por categorias as áreas que mais estão lhe chamando a

atenção no momento, e as coisas e assuntos que mesmo daqui a cinco

anos você estaria interessado em ler, saber, ou ocupar seu tempo. Pegue

um estilete e destaque os artigos de revistas como: Veja, Isto É, Super

Interessante, Globo Rural, Informática, Vida e Saúde, etc. agrupe-os por

categorias: saúde, educação, comportamento, escândalos, religião,

Moda, política, Conflitos Internacionais, ética, etc.colocando cada grupo

de dez à vinte artigos em uma pasta de cartolina, nomeada conforme o

assunto que foi lido, ou a ser lido. Este material servirá de ótima fonte de

pesquisa e material de apoio para elaboração de mapas mentais,

diagramas e roteiros de discursos e redações. Na Internet, cada site

contém informações que podem ser acessadas, gravadas, impressas e

usadas como material de referência. Uma das principais vantagens da

internet é que a informação divulgada na internet esta mais atualizada do

que na imprensa. Não confie apenas em livros antigos e empoeiradosexplore

novas fontes de referência. Sua apresentação, mesmo de

improviso será mais atraente para a platéia e soará fresca e inovadora, em

vez de embolorada por fontes já citadas à exaustão.

Use palavras chave em robôs de busca como o www.google.com.br , para

pesquisar material de referência, relevante na rede mundial,quanto mais

específicas as palavras chave, maiores as chances de achar dados

procurados em um tempo razoável. Arquive quantidades grandes de

material em bancos de dados computadorizados, que podem ser

adquiridos como programas prontos ou feitos sob medida para seus

propósitos.

Quando pego de surpresa, abordagem ampla é mais simples do que tecer

afirmações exatas.

Como Proceder:

1.Esteja preparado para uma possível fala de improviso;

2.Envolva-se com o assunto que esta sendo analisado e agrupe algumas

idéias que poderá expressar, se eventualmente for convidado a opinar;

3.Comece sempre por um exemplo: é mais fácil de narrar do que um

fato, enquanto isso ganha-se tempo para organizar as idéias que se

pretende expressar;

4.busque o que dizer em diversas fontes: no auditório(referir-se a alguém

presente que tenha liderança ou representatividade), no tema central, na

contextualização do assunto central, na própria experiência profissional e

na memória, recordações do arquivo pessoal de recortes, afinal cultura é

tudo o que sobra daquilo que você esquece;

5.desenvolva analise de assunto correlato ou cite um exemplo: é

imprescindível ter estreita ligação com o assunto sobre o qual se está

prestes a falar, de modo que prenda a atenção e instile a curiosidade nos

ouvintes;

6.Se possível fazer um breve quadro de idéias sobre o que irá explanar;

7. evitar: divagar, desviar-se do assunto e ser prolixo ( o limite de tempo de

um improviso é de 5 minutos).



ATITUDE INTERIOR:



Decida tirar o máximo proveito possível da oportunidade oferecida; ocupe o

espaço oferecido sem o compromisso de extrapolar-se; aproveite o desafio

para treinar a imaginação, a presença de espírito, a velocidade mental de

organização das idéias e de agir diante do inusitado.



CONSEQÜÊNCIAS:



A habilidade de falar de improviso traz, pelo menos três ganhos

fundamentais:

1. A confirmação de que se é capaz de levantar e pensar em pé de modo

organizado diante de um grupo de pessoas, e que você pode expressar

suas idéias em pé diante de um auditório;

2. No discurso preparado corre-se o risco de esquecer a seqüência das

idéias , neste caso, não entrará em pânico, pois sabe que poderá

continuar a análise do tema improvisadamente;

3. Estimula sobremaneira a auto-confiança.



3.2.2 PRELEÇÃO PREPARADA



Expressar-se com clareza: convencer, persuadir e comover exige

integração perfeita entre três elementos complementares: o que se diz,

quem fala e quem ouve, o emissor emitente falante, o receptor, e a

mensagem falada. Porém, o maior segredo consiste em identificar-se

profundamente com o assunto sobre o qual discursa, pois isto propiciará

naturalidade, vibração, segurança e eloqüência.

Um discurso bem preparado é a maior garantia de sucesso ao falar

em público. Percebe-se logo quando o orador está bem preparado, pois

ao abordar o assunto, é necessariamente preciso, sistemático, lógico, traz

bem delineado o caminho pelo qual levará o auditório aos aplausos ou a

ação.



Características essenciais:



O conferencista que separou tempo para sistematizar estrategicamente suas idéias, agrega os seguintes valores:

1. Precisão, clareza: faz uma integração perfeita entre o foco central e suas idéias complementares.

2. Reforça as idéias essenciais: pois tem clareza de objetivos e visão de conjunto do assunto;

3. Envolve e mantém o auditório atento na medida em que cria um quadro mental das idéias expostas;

4. Parte do raciocínio mais simples para o mais complexo, dosando com equilíbrio o grau de profundidade do assunto à compreensão dos ouvintes;

5. Procura criar interesse, aguçar a atenção, e tornar memorável o que fala;



Níveis de preparação



Existem dois níveis de preparação: a remota e a imediata.



1. Preparação Remota: Refere-se a estrutura do orador enquanto personalidade e ao caldo cultural, ou lastro de conhecimento adquirido através das experiências da vida e suas pesquisas cientificas.



Principais características de uma preparação a longo prazo:



1. Apaixonar-se pela leitura: o grande orador é , via de regra um grande devorador de bons e grandes autores.

2. Aceitar-se consciente e inconscientemente como orador;

3. Deixar-se absorver pelo tema: isto garantirá um discurso empolgante e cheio de vibração;

4. falar de algo que tenha competência adquirida pela experiência e pela pesquisa;

5. certificar-se de que esta empolgado pelo tema: as idéias brotarão e fluirão em profusão, e isto certamente facilita a comoção do auditório;

6. Adquirir uma postura que revelo descontração, segurança, equilíbrio, naturalidade, sensibilidade e comunicabilidade;

7. Desenvolver poder de reserva: percebemos a importância da leitura no momento das perguntas; o orador que lê tem o hábito de fazer fichamento, por autor e por assunto, tem ótima reserva de  informações essenciais, complementares e correlatas.

8. Manifestar domínio do assunto no momento em que fala.

9. buscar sempre o auto-aprimoramento, a auto-observação e o treino para aperfeiçoar sua capacidade de comunicação.



2.Preparação imediata:



Trata-se da estratégia correta da organização das idéias, da retenção das informações e da disposição mental e emocional.

2.1Delimitar o assunto; tema e tempo devem estar bem conjugados, isto cria disposição para ouvir, pois não é o simples falar que persuade, mas o falar estrategicamente;

2.2 Procurar obter informações sobre o auditório: nível sócio-econômico, aspectos culturais, ideologia, o que espera ouvir a respeito, por que ângulo

vê o assunto, qual o grau de expectativa e as principais razoes de estar presente;

2.3 Elaborar um quadro de idéias: conciso porem completo, deve conter

as idéias que ao mesmo tempo que possibilitam uma visão ampla, também contenham argumentos que atinjam os detalhes complementares;

2.4 Verificar se há uma complementaridade entre argumentos racionais e apelos emocionais, isso possibilitará a atenção constante do auditório e uma melhor compreensão do assunto;

2.5.1 Certificar-se de que chegará a tempo de proferir o discurso na hora prevista: o auditório detesta esperar e costuma não tolerar desculpas por atrasos;

2.6 Minutos antes de começar : repassar mentalmente o quadro de idéias e descontrair-se.



ELABORAÇÃO:



Ao possuir um roteiro mental a ser seguido, torna-se possível a

excelência na integração dos três elementos essenciais: orador- discursoauditório:

ORADOR: segurança, desenvoltura, poder de convencimento e persuasão;

DISCURSO: flexibilidade, lógica, coerência, fluência e clareza;

AUDITÓRIO: confiança, abertura, admiração, concentração e facilidade de

intelecção.

Este é um dos aspectos mais defasados. É comum encontrarmos expositores

apreensivos porque não sabem exatamente as idéias que irão abordar e, muito

menos, a seqüência mais adequada em que deverão expor suas idéias.

É fundamental que haja o amadurecimento das idéias: após a concepção do

assunto é natural começarmos a pensar sobre as idéias que iremos usar para

esclarecer o público. É importante proceder segundo as três regras da

criatividade: concepção, incubação e forma.



Procede-se em dois momentos:



Inventário: consiste no levantamento de todos os itens já conhecidos e que

poderão ser abordados. Esta etapa caracteriza-se por:

Não ter um tempo pré-fixado de duração; uma forte presença da imaginação e da criatividade; um período ilógico chamado de tempestade mental- onde não importa a seqüência de idéias, nem tão pouco sua pertinência, mas apenas sua quantidade, por isso é necessário deixa-las fluir, sem julgamento ou censura; apanhe tudo o que tiver relação com o assunto; seja universal, isto é não privilegie um enfoque apenas, procure ser poli-prismático ao máximo.

Traga à tona todas as informações, independente do ângulo pelo qual

será abordado posteriormente.



Pesquisa Complementar: Caso perceba falta de profundidade, de

atualização, é imprescindível consultar manuais e profissionais

competentes, tornando possível uma abordagem segura e com

profundidade de análise, pode causar impacto, pois a atualização e o

arrojo de novas idéias, selecionadas dentre as melhores pessoas e dos

melhores autores tendem a impactar o auditório pelo peso da autoridade

e da novidade com que se apresenta um lampejo de luz sobre o assunto

analisado.



ORGANIZAÇÃO DO QUADRO DE IDÉIAS:



Tão importante quanto à postura, à impostação da voz, os gestos, o

olhar- é a lógica, o encadeamento das idéias apresentadas. É necessário

que o orador priorize as idéias pela sua importância e posicionamento

estratégico.

Objetivo: o quadro de idéias torna possível ao orador:

1. fluência e desenvoltura; pois não esta preso a palavras, mas a linha de

idéias;

2. Maleabilidade; o orador pode facilmente adaptar as idéias à linguagem

do auditório e ao contexto;

3. Segurança: devido ao acesso rápido e preciso ao banco de dados

mental;

4. Eliminação do branco: dificilmente alguém conseguirá esquecer uma

seqüência de idéias, enquanto que facilmente podemos esquecer de

frases e textos;

5. Visão de conjunto: ter definido o quê, por que e onde se quer chegar

com as idéias de que se dispõem é primordial, pois assim dificilmente

o orador vai perder-se em detalhes sem importância;

6. Responder com presteza as perguntas: o orador saberá dizer se deve

responder naquele momento ou abordará a pergunta no decorrer da

explanação, pois tem uma visão de conjunto das informações;

7. O auditório assimila em profundidade: o comunicador reconstrói com

o auditório sua visão de conjunto e passa a explanar todas as idéias

afins, desta maneira, o orador torna a palestra facilmente

compreensível e memorável.



CARACTERISTICAS DO QUADRO- DE- IDÉIAS:



1. Contém somente palavras-chave, nas quais expressamos nossas idéiasembora

isto não dispense as particularidades, tais como: exemplos,

citações, estatísticas, comparações e definições;

2. Encadeamento lógico entre as palavras –chave: é a conseqüência da

organização das idéias de forma lógica por parte do orador;

3. Concisão: quanto menos escrever, melhor- mas não em detrimento do

assunto, ou de modo que sacrifique a compreensão;

4. Posição de visibilidade das idéias no papel;

5. Força do encadeamento estratégico das idéias, posicionadas onde tem

maior poder de fogo;

6. A autenticidade e a originalidade propiciam maior segurança e maior

impacto;

7. subdivisão da complexidade de modo a facilitar a identificação da ordem

lógica e da interligação das idéias entre si.

As idéias podem ser ordenadas através dos seguintes métodos:

*Cronológico- Linha do tempo;

*Seqüência Natural das idéias- Método Lógico;

*Orientação Espacial- Método Topográfico;



*Orientação ramificada em galhos e sub-galhos.


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